Mestres da Vida: Léon Degrelle

Por António José de Brito

Creio que não há figura mais fascinante no Fascismo europeu do que Léon Degrelle. A sua vida, entre êxitos e fracassos, vitórias fulgurantes e derrotas amargas dominada sempre pelo leit motiv da fidelidade e da coragem, é mais emocionante, mais apaixonante, do que a do protagonista de um romance ou filme de aventuras.

O mais jovem chefe do partido da Europa nos anos 30 (REX), que obteve êxitos sensacionais, viu começar a declinar a sua aura depois da derrota, no círculo de Bruxelas, face ao velho e astuto político Van Zeeland, derrota de que foi grande artífice o cardeal de Lovaina que sobre Degrelle, católico fervoroso, lançou as suas fulminantes condenações, só faltando proclamá-lo ateu e pagão.

Depois da eclosão do conflito mundial, REX defendeu com ardor a política de neutralidade da Bélgica, cujo governo se inclinava abertamente para o lado democrático. Quando as tropas alemãs transpuseram a fronteira belga, Degrelle foi preso, entregue aos franceses, torturado, e só milagrosamente conseguiu escapar ao fuzilamento e regressar à sua pátria, após os Sessenta Dias que Abalaram o Ocidente (Benoist Méchin).

Presenciou, então, atónito aquilo que chamou, num livro célebre, La Cohue de 1940, vendo os anti-fascistas mais ardentes, os que mais proclamavam o seu ódio ao III Reich precipitarem-se nos braços dos ocupantes, rastejando, de espinha curvada, a oferecer os bons serviços.

Degrelle contemplava, com asco e uma certa expectativa, o espectáculo nauseabundo.

E eis que, em Julho de 1941, os exércitos europeus, com destaque para os germânicos, se lançam ao assalto do bolchevismo, que se preparava para tirar dividendos das lutas entre as nações do Ocidente.

León Degrelle escutou o apelo que percorria o continente, de Norte a Sul, para que todos se unissem contra o perigo comunista.

Inicia a sua segunda espantosa ascensão.

Alistando-se, como simples soldado, da Legião belgo-valónica, foi ascendendo na hierarquia militar, à força do heroísmo e bravura, até chegar a seu comandante.

Sofreu os horrores do primeiro Inverno russo, esteve no Cáucaso, participou da epopeia de Tcherkassy, conseguiu, nos países bálticos, numa manhã deter uma inesperada ofensiva soviética. Entrou em inúmeros combates corpo-a-corpo, detém a insígnia que o testemunha. Foi condecorado com a mais alta condecoração da Wermacht e Hitler afirmou que se tivesse um filho gostaria que fosse como Degrelle.

Se o Fascismo triunfasse, ele seria um dos seus vultos cimeiros, um dos elementos mais destacados da nova ordem.

Infelizmente o Espírito foi vencido pela brutalidade da matéria.

Degrelle passou a proscrito, a pária, a criminoso de guerra. Numa evasão arriscadíssima, chega da Noruega à Espanha onde o avião que o transportava, já quase sem gasolina, tem um acidente providencial. Mais uma vez ferido, em tais circunstâncias Franco, decentemente, não o podia entregar, ao ódio dos chacais da democracia.

E Degrelle inicia a terceira e última fase da sua existência.

Fase maravilhosa, ainda que plena de dor e amargura.

Num tempo de traições, abdicações, abjecções ele mantém-se fiel às suas ideias como um bloco de granito face às ondas do mar que tentam destruí-lo. É dos poucos que, hoje em dia são capazes de proclamar que Hitler tinha razão e concluir um discurso com a velha e, actualmente execrada, saudação Heil Hitler.

Por outro lado, o combatente sem mancha, passou a revelar-se um escritor de alto nível.

Livros e livros vão marcando o seu exílio. É La Campagne de Russie, com páginas admiráveis sobre as paisagens ucranianas ou sobre o Báltico cinzento e tranquilo; é a já citada Cohue de 1940, são as Almas Ardiendo, de tão alta espiritualidade, é Hitler pour 1.000 ans, são as Mémoires. E, ao lado dos livros, surgem entrevistas, artigos, a desassombrada Carta a S.S. João Paulo II, e tantos e tantos textos belíssimos.

O orador que arrebata, que, já na velhice, domina com magia da sua palavra, tornou-se, igualmente, um escritor de raiz.

Tivesse o campo anti-fascista quem soubesse manejar a pena tão estupendamente como manejou as armas, e sobre ele choveriam as honrarias, as consagrações, os Nobel, as apologias frenéticas.

Degrelle, porém, não soube o que é vender-se ou render-se. Por isso, tem a honra de ser detestado, apontado à abominação e furor das multidões ignaras.

Um dia virá, porém, em que raiará, finalmente, a Primavera e o nome de Degrelle ecoará como uma das glórias da Europa, não da Europa dos bufarinheiros e plutocratas, mas da Europa da Dignidade e da Coragem.

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