Descolonização: até quando teremos de pagar?

Por João Franco (Jovem NR nº 1)

Tem vindo a ser incutida nos Portugueses, após a descolonização africana, a ideia absurda e traiçoeira de que o nosso povo é culpado de barbaridades horríveis e inomináveis em África e que, por isso, tem obrigação moral de contribuir (até quando?) com apoios monetários e de toda a espécie para os chamados PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Na nossa opinião, não poderia existir ideia mais errónea. Com efeito, durante a presença portuguesa em África, houve um enorme salto quantitativo e qualitativo da vida dos indígenas das nossas Províncias Ultramarinas, com a criação de toda uma rede de infra-estruturas ao nível rodoviário, agrícola, etc. As suas populações tiveram acesso pela primeira vez a cuidados de saúde e a um sistema de educação condignos.

O processo que conduziu à independência dos PALOP mostrou que, afinal, os nossos esforços para ajudarmos esses povos tinham sido em vão: hoje em dia, tudo está destruído e são essas pessoas, que nos expulsaram dos seus territórios e fizeram inúmeros cidadãos portugueses sofrer toda a espécie de injúrias físicas e psicológicas, que “exigem” que os recebamos como imigrantes e que sustentemos os seus Estados e as oligarquias que os governam. O que na prática esses países querem é o estatuto de país independente, por um lado, e que, por outro lado, Portugal pague uma parte importante dos custos inerentes ao estatuto de independência, financiando obras públicas, o aparelho do Estado, já para não falar dos apoios militares, directos e indirectos que recebem.

As imensas dívidas externas desses países para com o Estado português vão sendo sucessivamente perdoadas, ou protelados os seus prazos de pagamento.

Aos governos dos PALOP não lhes interessa que Portugal fomente estruturas produtivas locais, que criariam inúmeros postos de trabalho às populações famintas desses países. O que lhes interessa é receber auxílios monetários que lhes permitam solidificar a sua permanência no poder e financiar as suas Forças Armadas e estilos de vida luxuosos, mantendo a esmagadora maioria dos seus cidadãos em condições de vida abomináveis, pois só assim podem tê-los sob controlo. Dentro desta ordem de ideias, fomentam a emigração nos seus países, pois os emigrantes dos PALOP são muitas vezes os seus cidadãos mais qualificados e com recursos financeiros que lhes permitem efectuar a viagem até à Europa, sendo por isso os cidadãos mais perigosos para uma possível contestação aos regimes semi-totalitários dos seus países. Os PALOP empobrecem com a fuga dos seus melhores recursos humanos e fazem aumentar, nos países que acolhem os seus emigrantes, situações de tensão social e, muitas vezes, de aumento da criminalidade, pois os países que os recebem não têm capacidade para acolher e empregar o número avassalador de imigrantes oriundos desses países que todos os anos os inundam.

Qualquer pessoa sensata que olhe hoje para os PALOP verá que estes se encontram numa situação muito pior do que a anterior à sua independência e que os principais culpados da situação de miséria extrema e de guerra em que se encontram mergulhadas as suas populações, são simplesmente as oligarquias que os governam; compostas pelos piores inimigos do seu próprio povo.

Por tudo isto, há que encarar a realidade e decidir se Portugal quer continuar a financiar os regimes ditatoriais dos PALOP (desperdiçando avultadas somas, muitíssimo mais necessárias para o desenvolvimento do nosso país), ou se prefere assumir os compromissos com os únicos cidadãos para com os quais tem na verdade obrigações: os cidadãos portugueses.

Às pessoas que criticam a tão falada e não confirmada (excepto casos pontuais), exploração dos PALOP por Portugal, pede-se que olhem à sua volta com atenção, e que observem a descarada exploração e humilhação a que somos sujeitos por parte dos dirigentes desses países. E se, segundo dizem essas, os “andámos a explorar durante vários séculos”, também não lhes deixámos estradas, hospitais, barragens e empresas (de que eles conseguiram dar cabo em meia dúzia de anos)? Não erradicámos a fome desses países durante esses séculos todos? E os milhões de contos que para lá enviamos todos os anos como “ajudas”? E os biliões de contos de dívidas que já lhes perdoámos? A nosso ver, mesmo que essa factura da “exploração” tivesse sentido de existir, a esta hora já estaria mais do que paga!

Aos países doadores de ajuda para os PALOP deve ser permitido o controlo e a aplicação das verbas concedidas a estes países, de modo a garantir a prosperidade das populações locais, para diminuir a necessidade de emigrarem e reduzir as hipóteses de comportamentos ilícitos por parte dos respectivos governos.

Por fim, devemos exigir que as mercadorias que enviamos para os PALOP, na falta de pagamento em meios monetários, sejam pagas em matérias-primas (que abundam em muitos desses países) exploradas por empresas portuguesas, que fomentariam também a formação profissional e a implementação de empresas de capital local.

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