A ética Nacionalista e o Capital

Por Rui

No nosso movimento Nacionalista existem vários complexos, históricos e culturais, que parecem impedir-nos de lidar friamente com certas situações e levam a um atraso na evolução do mesmo. Talvez o maior destes complexos seja o que rodeia questões de capital. Passo a explicar: neste nosso movimento parece haver uma certa relação fascínio/aversão em relação ao capital e ao capitalismo. Ou seja, existem aqueles que acusam de ser “burguês” qualquer um que viva financeiramente confortável, e aqueles que parecem querer mostrar a sua opulência financeira a todos os que queiram ver. Nenhuma destas atitudes é saudável para a nossa causa.

O nosso movimento, estando nós (infelizmente) numa sociedade capitalista, precisa de dinheiro para se desenvolver e crescer, como qualquer outro movimento. A diferença entre nós e os outros é que os outros já se aperceberam disto há muito tempo, sendo caricato porque a "esquerda" em Portugal é extremamente hostil a qualquer noção de capitalismo, no seu discurso. No entanto, não têm quaisquer problemas em estabelecer relações de “patrocínio”, muitas vezes dúbias, que fazem com que estejam sempre na vanguarda da propaganda e da influência na sociedade.

Não deixa de ser, no entanto, compreensível que isto aconteça no nosso seio. No passado (…) houve demasiados abusos no que toca a lidar com dinheiro no movimento, pelo que a atitude generalizada é olhar de lado quando se toca em tais questões. Mas não podemos continuar a ser os “pobrezinhos” da política em Portugal. As nossas campanhas devem deixar de ser as mais diminutas do panorama Português, e para tal não podemos andar sempre a “contar trocos”. Que fique bem claro, não estou a advogar que devamos vender a alma ao diabo por dinheiro para campanhas, mas não podemos mais ficar apáticos em relação a estas questões, sob pena de nos termos de conformar a ser um fenómeno marginal da sociedade, sem qualquer influência nem voz. O nosso pão não é a ideologia. A nossa mensagem tem de ser apelativa aos sectores da sociedade a quem mais tocam os problemas que denunciamos, as pessoas têm de sentir que expressamos os seus sentimentos e posições em relação à sociedade em que vivemos.

Claro que a nossa ética e os valores que defendemos não nos permitem ser escravos do capital, contrariamente a outros que se dizem “anti-capitalistas” mas que depois têm apoios financeiros de organizações cujo próprio financiamento é duvidoso. Sendo nós os verdadeiros anti-capitalistas, temos de ter uma atitude muito mais transparente em relação aos nossos financiamentos, fazendo prevalecer a nossa ética sobre materialismos fúteis e tentações impróprias do nosso movimento. Não é por combatermos o capitalismo que devemos ser pobres e sem recursos.

É por combatermos o capitalismo que nunca deixaremos o nosso movimento ser mais uma presa da corrupção do dinheiro sem face e dos interesses dos grandes grupos económicos que são uma das linhas avançadas da destruição da nossa identidade Nacional e Europeia que tentamos evitar.

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