Europa, uma árvore na tempestade

Por Guillaume Faye (retirado de Batalha Final)

A civilização europeia, civilização superior, não há que duvidar minimamente em afirmá-lo perante os pregadores lânguidos do etnomasoquismo xenófilo, deverá, para poder sobreviver no século XXI, operar uma revisão que corte com alguns dos seus princípios. E só será capaz disto se permanecer ancorada na sua eterna personalidade metamórfica: Deverá transformar-se toda ela permanecendo ao mesmo tempo fiel a si, cultivar o enraizamento e o desencaixe, a fidelidade identitária e a ambição histórica.

A Primeira Idade da civilização europeia agrupa a Antiguidade e a Idade Média, momento de gestação e crescimento. A Segunda Idade vai desde os grandes descobrimentos até à primeira guerra mundial: é a assumpção. A civilização Europeia conquista o mundo. Mas da mesma forma como Roma ou o Império de Alexandre o Magno, ela mesma faz-se devorar pelos seus filhos pródigos: Ocidente e América e por aqueles povos que ela própria colonizara (superficialmente). Abre-se então, num trágico movimento de aceleração da História, a Terceira Idade da civilização europeia com o tratado de Versailles e o fim da guerra civil de 1914-1918: o funesto século XX. Somente quatro gerações bastaram para precipitar na decadência o trabalho ascendente, o “labor solis”, de mais de quarenta gerações! A história parece-se com as assímptotas trigonométricas da “teoria das catástrofes”: É no auge do seu esplendor que a rosa murcha, é depois do tempo solarengo e calmo que o ciclone irrompe. A Rocha Tarpéia está próxima do Capitólio!

A Europa foi vítima do seu “prometeísmo” trágico, da sua própria abertura ao mundo. Vítima desse excesso de toda a expansão imperial: O universalismo, esquecendo-se de toda a solidariedade étnica interna, vítima, em consequência, também dos micro-nacionalismos.

A Quarta Idade da civilização europeia abre-se hoje. E será a do renascimento ou a da perdição. O século XXI será para esta civilização herdeira dos povos irmãos indo-europeus, o século fatídico, o do “fatum”, do destino que decide ou a vida ou a morte. Mas o destino não é o acaso absoluto. Contrariamente às religiões do deserto – o qual, simbolicamente, não representa mais que o nada absoluto – os povos europeus sabem no seu fundo que o destino e as divindades não são sempre todo-poderosos frente à vontade humana. Como Aquiles, como Ulisses, o homem europeu original mantém-se de pé e nunca agachado, prostrado ou ajoelhado frente aos seus deuses. Não há fatalidade histórica.

Inclusive ferida, a árvore pode continuar a crescer. Com a condição de que reencontre a fidelidade às suas próprias raízes, à sua própria fundação ancestral, ao solo que nutre a sua seiva (…).

Este século será o do renascimento metamórfico da Europa, como a Fénix, ou o da sua desaparição enquanto civilização histórica e a sua transformação em “Luna Park” cosmopolita e estéril, enquanto os outros povos, no que lhes respeita, conservarão as suas identidades e desenvolverão o seu poder. A Europa está ameaçada por dois vírus aparentados: O do esquecimento de si mesma, a aridez interior, e o da “abertura ao outro”, excessiva. No século XXI, a Europa, para sobreviver, deverá ao mesmo tempo reagrupar-se, regressar de novo à sua memória e perseguir a sua própria ambição, “fáustica” e “prometeica”. Tal é o imperativo de “coincidentia oppositorum”, a convergência dos contrários ou a dupla necessidade da memória e da vontade de poder, do reconhecimento e da criação inovadora, do enraizamento e do desencaixe. Heidegger e Nietzsche…

O início do século XXI será como essa “meia-noite do mundo”, desesperante, de que falava Friedrich Hölderlin. Mas no mais obscuro da noite, é sabido que pela manhã o sol regressará, “Sol Invictus”. Depois do crepúsculo dos deuses: A aurora dos deuses. Os nossos inimigos acreditaram sempre na Grande Noite e as suas bandeiras estão ornamentadas com símbolos de estrelas nocturnas. Pelo contrário, nas nossas bandeiras está cunhada a Estrela da Grande Manhã, com raios resplandecentes: A roda, a flor do Sol de Meio-dia (…).

O tempo da conquista terminou. Agora vem o da reapropriação interior e exterior, a reconquista da nossa memória e do nosso espaço; e que espaço! Catorze fusos horários sobre os quais o sol nunca se põe. Desde Brest até ao estreito de Béring, não há dúvida, este é verdadeiramente o Império do Sol, e é de facto o espaço vital e de expansão próprio dos povos indo-europeus. Sobre o flanco Sudeste, temos os nossos primos hindus e sobre o nosso flanco Este a grande civilização chinesa, que poderá ser aliada ou inimiga, segundo o que ela determine. Sobre o flanco Oeste, vinda do outro lado do Oceano: A América, cujo objectivo será sempre impedir a união continental (do espaço euro-siberiano). Mas, podê-lo-á eternamente?

E depois sobre o flanco sul: A principal ameaça, ressurgida do fundo das épocas do passado, aquela com que não podemos transigir (absolutamente para nada).

Certos lenhadores tentam abater a árvore. Entre eles encontram-se muitos traidores, muitos colaboradores. Defendamos a nossa terra, preservemos o nosso povo. O contra-relógio começou. Todavia ainda temos tempo, se bem que desta vez não seja muito.

Mais, ainda se conseguirem cortar o tronco ou se a tempestade o abater, quedarão todavia as raízes, sempre fecundas. Uma só brasa é suficiente para reavivar o incêndio.

Pode dar-se, evidentemente, que abatam a árvore e destruam o seu cadáver, num canto crepuscular, e, anestesiados, os europeus não sintam a dor. Mas a terra é fecunda e uma só semente é suficiente para iniciar o reflorescer. No século XXI preparemos os nossos filhos para a guerra. Eduquemos a juventude para uma nova aristocracia, ainda que seja minoritária.

Muito mais que a moral é necessário praticar a partir de agora a “hipermoral”, isto é, a ética nietzschiana dos tempos difíceis; quando alguém defende o seu povo, ou seja, os seus próprios filhos, quando defende o essencial, segue a regra de Agamenon e Leonidas mas também de Charles Martel: É a lei da espada que prevalece, aquela em que o bronze ou o aço resplandece ao Sol.

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