Entrevista a Fabrice Robert

Entrevista realizada pela redacção do Causa Nacional a Fabrice Robert, presidente do Bloc Identitaire

1. Para aqueles que não conhecem Fabrice Robert, podes fazer-nos uma apresentação política?

Comecei verdadeiramente a militar em 1987 na FN, tinha então 16 anos. Mas rapidamente me virei para o movimento nacional-revolucionário Terceira Via que respondia melhor às minhas aspirações. Depois entrei para a Nova Resistência, onde fui o responsável pela juventude, ao mesmo tempo que era conselheiro municipal pela FN em Courneuve.

Em 1997 participei na criação do Unité Radicale, que tinha por objectivo o desenvolvimento de uma estrutura que abrangesse as tendências radicais e extra-parlamentares do movimento nacional em França. Trabalhámos particularmente com o MNR, o que me levou a ser conselheiro nacional desse movimento. Eu era um dos dois porta-vozes do Unité Radicale – juntamente com Guillaume Luyt – quando o acontecimento de 14 de Julho se deu.

Soubemos responder rapidamente à repressão que se abateu sobre nós. Hoje em dia sou o Presidente do movimento Bloco Identitário.

Estou também muito implicado no combate cultural, o qual considero de grande importância. Depois de ter sido o director da publicação Jeune Resistance e um dos principais animadores da associação musical Bleu Blanc Rock, animo hoje a revista ID Magazine, a agência de notícias Novopress.info e preparo o lançamento da Alternative-S.

2. Um acto isolado de um membro do Unité Radicale levou à extinção do grupo. Como é que foram esses tempos no seio do grupo? Como lidaram com a repressão e perseguição policial?

Decidimos – juntamente com Guillaume Luyt – enfrentar de cara descoberta as consequências do 14 de Julho enquanto que muitos subitamente se esqueceram que conheciam Maxime Brunerie. Não vou falar do monte de cobardias e dos cobardes que descobri na altura do caso. Linchado pelos média durante dois meses, foi necessário assumir esta opção e as suas consequências, quer a nível pessoal quer profissional (tensões familiares, perda de emprego, etc.).

Que fique bem claro. Não concordamos com o acto de Maxime, mas não deixamos de lhe dar o nosso apoio moral, porque até 14 de Julho de 2002, Maxime era um militante como muitos outros: entusiasta, determinado e sério. Por razões que ignoramos, ele fraquejou no momento em que atentou contra Jacques Chirac.

Tivemos simplesmente que lhe mostrar que para nós, perante o seu momento de fraqueza, a camaradagem é mais do que uma vã palavra.

Além disso, como podemos ficar surpresos com o acto insensato do Maxime, quando se enfrenta um sistema que tudo manipula para impedir a representação daqueles que votam incorrectamente? Hoje em dia, os brancos desfavorecidos tornaram-se nos sem voz do sufrágio universal. Tornaram-se os grandes excluídos de um sistema que, em nome da democracia, não respeita o jogo democrático. Esta questão representa, simultaneamente, um forte sinal tanto para o sistema, como para os militantes identitários, que devem guardar-se da irresponsável deriva terrorista. Com todas as consequências que isso implica, tanto para eles como para o movimento.

Esta situação proporcionou-nos uma ocasião histórica para limpar das nossas fileiras os mitómanos e os provocadores. Posso dizer-vos que muita gente, no seio do movimento nacional, ficou impressionada pela nossa combatividade face à repressão.

3. Quando surgiram os Les Identitaires? De onde vem este termo?

No momento da dissolução do Unité Radicale, prometemos ressurgir e iniciar uma verdadeira revolução cultural nas nossas fileiras. Esta revolução deveria aprofundar a via identitária, que já tínhamos esboçado nos últimos meses do UR. O termo “identitário” não é, certamente, uma novidade, mas até hoje foi sempre utilizado no quadro de uma representação sociológica e cultural. Fomos nós que demos uma conotação política – e, portanto, concreta – ao conceito.

Em Setembro de 2002, suscitamos o nascimento do movimento Jeunesses Identitaires. Em menos de oito meses, as JI tinham já no seu activo 50.000 autocolantes e 5.000 cartazes colados, dois encontros realizados, várias acções espectaculares e grupos estruturados por todo o território nacional.

A 16 de Novembro de 2002, ou seja, 100 dias após o assassinato judicial do site unite-radicale.com, lançamos o site www.les-identitaires.com que se apresenta hoje como o portal do movimento identitário. Este site trata não só da geopolítica como também da cultura, do ambiente, incluindo a gastronomia, porque a defesa da nossa identidade não se limita somente ao campo político.

Finalmente, os Encontros Identitários, que se realizaram nos dias 5 e 6 de Abril de 2003, consagraram o nascimento do movimento “adulto”, Bloc Identitaire, que veio dar corpo ao conjunto do edifício que nasceu em Setembro de 2002.

4. O movimento identitário estabeleceu uma rede de informação própria e criou um estilo de música denominado “rock identitário”. Porquê?

O combate cultural sempre constituiu, para mim, um eixo essencial da luta política. E não é inútil lembrar que o primeiro teórico desta metodologia subversiva foi o italiano Gramsci. Segundo ele, é impossível conquistar o poder político sem antes conquistar o poder cultural. O objectivo de uma guerra cultural é, portanto, a conquista pacífica do poder político pela tomada do controlo dos espíritos dos cidadãos. Trata-se, então, de agir sobre a percepção que os indivíduos têm do mundo e da sociedade na qual vivem, com o fim de criar correntes de opinião favoráveis aos movimentos políticos enraizados.

Mas existem várias maneiras de encarar o combate cultural. Na minha opinião, este deve, sobretudo, permitir convencer o nosso povo como um todo da justeza das nossas teses. Não se trata, por conseguinte, de pregar aos convertidos, mas convencer aqueles que ainda não são dos nossos. É a razão pela qual me parece ilusório criar uma comunidade, hermética e afastada da realidade, quando é urgente, para a nossa sobrevivência, chegar à nossa comunidade de sangue. Utilizar a cultura para passar as nossas teses no seio das massas populares, esta é a minha concepção do combate cultural.

Por exemplo, a música permanece como um vector incontornável da difusão de um ideal político. Esta é a razão pela qual contribuí, através da associação Bleu Blanc Rock, para o desenvolvimento de uma cena musical identitária em França. Actualmente, a página BBR está ultrapassada. É necessário passar para outro patamar, a fim de obter resultados eficazes. Considero este projecto BBR, como uma primeira fase de uma aventura que está para durar. O tempo de uma segunda fase chegou, vai surgir a Alternative-S.

E por fim, estamos a trabalhar para a expansão da nossa própria agência de informação, baptizada Novopress. Com já mais de 18 antenas locais (França, Portugal, Quebeque, Itália, etc.), o Novopress tornou-se uma arma eficaz ao serviço do combate identitário.

5. Relembrando um ensaio de Pierre Vial – “Combatentes Identitários” – que foi publicado na Terre et Peuple, onde ele diz que hoje em dia é um combatente identitário embora não renegue o seu passado nacionalista. Identificaste com estas palavras?

Certamente! Hoje somos militantes identitários, mas sempre assumimos o nosso passado militante e continuaremos a fazê-lo. E os meios de comunicação social, de resto, não se cansam de o repetir.

Dito isto, queremos seguir em frente e virar costas às atitudes caricaturais, aos comportamentos e aos discursos susceptíveis de confinar a nossa luta a um gueto.

6. O movimento identitário é conhecido pela sua forte componente pan-europeia. É correcto afirmar que os identitários são mais europeístas do que nacionalistas?

Os identitários abandonaram o conceito de nacionalismo substituindo-o pelo de patriotismo carnal, histórico e civilizacional. Desejamos, com efeito, apoiar-nos na nossa identidade regional, francesa e europeia. Esta concepção poderia traduzir-se na frase “A França das regiões, na Europa das nações”.

Não somos “europeístas”, o que seria fazer da Europa uma ideologia em substituição de uma outra (a nação), mas sim Europeus. A Europa é, com efeito, para nós, uma realidade que vem completar outra, a França, sobre a qual assentam as nossas regiões milenárias.

7. Mesmo com a mudança de discurso e de visual, a repressão policial não parou. Foi esta a razão para a criação do CEPE?

Parece-me importante ter uma estrutura como o CEPE para poder prestar apoio moral, judicial e material aos militantes em dificuldades judiciais. Temos de estar presentes e ser eficazes quando um dos nossos é perseguido pelo sistema. Isto pode parecer lógico, mas este tipo de estrutura de solidariedade faltava em França.

Em caso de prisão, o CEPE assegura a ligação entre a família e o advogado, avisa a imprensa amiga, mobiliza os camaradas e presta ao detido todo o apoio necessário.

8. Em Portugal – não sei se na França acontece o mesmo – os Identitários são acusados de ser uma versão soft do nacional-socialismo, com um estilo moderno sem simbologias, mas na sua essência nacional-socialistas. O que tens a dizer sobre isto? Ser identitário é diferente de ser nacional-socialista?

Não podemos impedir que os nossos adversários nos tratem como nazis ou neo-nazis, para eles é muito mais confortável do que responder aos nossos argumentos! Aliás, fico sempre surpreendido por ver até que ponto algumas pessoas sentem necessidade de estabelecer um paralelo com tempos já ultrapassados, até parece que têm uma certa nostalgia…

Homens e mulheres do nosso século, sabemos que a Europa de 2005 não é a Alemanha de 1933 e que o tempo dos totalitarismos pertence ao passado. Preocupados com a eficácia, estamos em consonância com a nossa época e agimos numa lógica social, identitária e europeia para melhor ajudar o nosso povo.

Pensamos que é necessário saber investir sobre o terreno de maneira constante e regular para poder agir sobre o real e de forma duradoira. Isso é nomeadamente possível no domínio do trabalho associativo. São numerosos os movimentos populares que viram o seu desenvolvimento apoiar-se sobre sólidas bases de tipo associativo. A entreajuda social, o apoio escolar, o desenvolvimento dos comités de bairro, a defesa de uma tradição local, o apoio aos consumidores, etc. Tantos domínios nos quais os identitários investem.

Outro eixo essencial: o lobbying, que pode exercer uma certa influência no seio da sociedade. Bem planeado, permite estabelecer uma comunicação entre os que tomam as decisões e aqueles que são afectados pelas consequências das mesmas. O sucesso de certas iniciativas levadas a cabo pelos identitários comprova o mérito de desenvolver um grupo de pressão, investido de uma vital missão: defender os interesses dos brancos desfavorecidos que actualmente são considerados como cidadãos de terceira no seu próprio território.

Acções contra o racismo anti-francês (Sniper, etc.), contra a imigração clandestina (Binazon, por exemplo) e a entrada da Turquia na Europa; acção social (nomeadamente a sopa popular distribuída pela SDF - Solidariedade dos Franceses), iniciativas de solidariedade europeia (como a operação Solidariedade Kosovo) e defesa dos valores familiares (protesto contra o “casamento” gay de Bègles); acções de lobbying, desenvolvimento do trabalho em rede (com a federação de competências) e cobertura do território através do mundo associativo… Todo um conjunto de escolhas estratégicas que acabam por se tornar uma marca de estilo identitário.

O estilo define o homem. E os identitários caracterizam-se, hoje em dia, por um estilo particular e original, de vontade de estar em consonância com o mundo real assim como o recurso a novas formas de acção.

9. A repressão continua, nós assistimos à invasão da Europa, e os nossos governantes nada fazem. Na França, de resto, temos um sério problema com o Islão. Acreditas que o Islão pode ser aliado da causa nacionalista? Especificamente em França muitas correntes nacional-revolucionárias consideram o Islão como um aliado na luta contra o Sionismo, que considerações este assunto merece?

O Islão não pode – de nenhuma maneira – ser considerado como um aliado. O sucesso do Islão está estreitamente ligado ao desenvolvimento da imigração na Europa. Direi mesmo que o Islão enquadra hoje as massas estrangeiras que invadem o nosso território. Além da progressão belicosa de uma religião, é também um modo de vida e uma cultura que se tenta impor sobre o nosso solo.

Os identitários conceptualizaram a linha “ni Kippa, ni Keffieh”, que apela ao recentramento no essencial, isto é, sobre os problemas do nosso povo. O resto não passa de pura gesticulação, com o intuito, bastas vezes, de mascarar uma total impotência política.

10. O Islão, como religião mundialista, é também um produto do sistema global que coloca em causa a Identidade Europeia. Quais são as medidas propostas pelos identitários para combater o Islão na Europa?

Para combater o Islão em França, é necessário, desde já, colocar em causa todas as iniciativas de Nicolas Sarkozy tendentes à organização do Islão na nossa terra. Hoje em dia o Estado tenta comprar a paz civil dando direitos, legitimidade e financiamentos às organizações islâmicas. Ainda há alguns anos atrás, o GRECE* fazia a apologia da não-integração dos estrangeiros na teia republicana por esperar que um dia eles retornassem às suas terras. Hoje esta esperança está posta em causa graças aos esforços dos nossos políticos para instalar o Islão em França.

Porque é que os imigrantes de confissão islâmica haveriam de ir embora, se o Estado francês faz tudo para lhes agradar: financiamento de mesquitas, comida hallal nas cantinas (refeições preparadas de acordo com os preceitos islâmicos – N. do T.), criação de um organismo representativo (Conselho Francês do Culto Mulçumano), etc.

Além disso, sabemos que a imigração é o terriço do Islão. Enquanto a imigração não for contida e enquanto uma política de retorno voluntário não for instaurada, a situação apenas se poderá agravar dia após dia. Mas pensamos que só uma mudança das mentalidades nas elites europeias permitirá empreender estas medidas salutares. É para esta revolução intelectual nos nossos líderes – voluntária ou imposta pelo povo – que trabalhamos hoje.

11. Obrigado pela entrevista, as últimas palavras são tuas.

Em poucos meses, os Identitários souberam impor – nos espíritos e nos factos – a existência de uma nova corrente política. E esta dinâmica faz com que actualmente na Europa e no espaço francófono surjam identitários. Por exemplo, na Valónia, na Suiça, no Quebeque e mesmo em Portugal.

Apreciamos particularmente o trabalho efectuado pela Causa Identitária e esperamos poder rapidamente estabelecer ligações entre os Identitários de França e os Identitários da Lusitânia.

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* Groupement de Recherche et d’Études pour la Civilisation Européenne.

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