As fases da Jihad

Por Wolfgang Bruno

Quando Theo van Gogh, crítico holandês do Islão, foi assassinado, ouviram-se comentários de que “a jihad tinha chegado à Holanda”. Luta física é de facto o principal significado do conceito de jihad, e esta deve ser levada a cabo se tal for possível. A jihad, entendida como Guerra Santa, é a expansão geográfica do domínio Islâmico pela força das armas. Nem sempre significa matar aqueles que são conquistados, mas significa sempre o reconhecimento da supremacia do Islão. No entanto, se tal não for ainda possível, a jihad deve ser feita com a língua, falando. De forma simples, podemos dizer que a jihad é qualquer acção que permita a expansão do Islão, pacífica ou não. O que significa que a jihad está sempre presente, mesmo quando não há violência. Da’wah, trabalho missionário e apelo à conversão, também faz parte da jihad, e é utilizado até ao momento em que o crescimento das fileiras islâmicas permite a jihad física. Até lá é fundamental que os muçulmanos se assegurem de que os não-muçulmanos não se apercebam dos verdadeiros objectivos islâmicos. É aqui que entra a impostura.

O Islão permite a impostura na guerra para alcançar a vitória, e o próprio Maomé disse: “A guerra é engano”. A “Taqiyya”, com origens no Islão Shiita, embora actualmente também seja praticada por não-Shiitas, é a dissimulação deliberada para proteger o Islão. “Kitman” consiste em dizer apenas uma parte da verdade. Um bom exemplo do uso de “kitman” é quando um muçulmano afirma que jihad significa na realidade “uma luta interior e espiritual”, e se esquece de referir o facto de que este significado se baseia num único e “fraco” hadith, de autenticidade duvidosa. Existem quase 200 referências à jihad na colectânea mais comum de hadith, a Sahih al-Bukhari, e todas atribuem à jihad o significado de guerra. O próprio Maomé deu um exemplo perfeito do uso de “kitman” nos primeiros tempos do Islão, quando o número de muçulmanos era ainda pequeno. A ordem para combater os infiéis de forma declarada foi adiada até que os muçulmanos se fortalecessem, pois enquanto foram fracos foi-lhes ordenado que aguentassem e fossem pacientes.

Alá mudou as suas instruções ao longo do tempo de acordo com este princípio. Um bom exemplo é o consumo de álcool. No início o consumo de álcool era permitido (2:219), depois restringido (4:43) e eventualmente banido (5:90). Não há desacordo entre os muçulmanos de que a última revelação cancela as anteriores (2:106), tornando-as inválidas, e o álcool é assim proibido. O Corão inclui vários versos revogados deste modo. O Corão inicial do período de Meca apresenta a liberdade religiosa como um mandamento divino simplesmente porque os muçulmanos não haviam ainda adquirido suficiente poder físico para forçar a conversão. Mas quando o Islão se tornou mais poderoso após a mudança para Medina, os “versos da espada” foram convenientemente revelados ao Profeta, versos esses que sancionam e de facto incentivam a violência, o método de expansão historicamente preferido pelo Islão.

Os apelos “matai os idólatras, onde quer que os acheis” (9:5), “quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado” (47:4), “Combatei aqueles que não crêem em Deus (..) até que, submissos, paguem o tributo” (9:29), “Combatei-os até terminar a intriga, e prevalecer totalmente a religião de Deus” (8:39) ou “Avisa, pois, aos incrédulos, que sofrerão um doloroso castigo” (9:3) contradizem completamente “Não há imposição quanto à religião” (2:256). Repare que a sura 9 foi o último ou o segundo último capítulo a ser revelado a Maomé. É também a sura mais agressiva e intolerante do Corão, substituindo todas as suras pacíficas feitas em tempos de fraqueza muçulmana. A jihad ofensiva, atacar, passa assim a ser totalmente permitida no Islão Sunita.

Mark Gabriel, actualmente cristão, é um ex-muçulmano e antigo professor de história Islâmica na Universidade Al-Azhar do Egipto. Os seus livros dão-nos uma introdução simples aos conceitos Islâmicos, mesmo para os que não partilham a sua religião. Em Islão e Terrorismo ele divide a jihad em três fases: a fase da fraqueza, quando os muçulmanos são uma pequena minoria, a fase de preparação e a fase da jihad, quando os muçulmanos são uma grande minoria com poder real. Reparem que a guerra aberta, a jihad armada, pode ser lançada mesmo quando os muçulmanos são uma minoria. Nesta fase podem lançar uma jihad com o objectivo de dividir um país. Foi isto que aconteceu à Índia quando a minoria islâmica criou o Paquistão. E é isto que pode acontecer a nações como a França num futuro não muito distante. Os muçulmanos representam 10% da população actual da França, mas um em cada três recém-nascidos. Quando a sua proporção atingir 15, 20 ou 30%, a França pode cair numa guerra civil, como aconteceu no Líbano. Até agora os muçulmanos franceses aceitaram a proibição do véu nas escolas. Isto indica que ainda não se sentem suficientemente fortes para lançar uma rebelião armada contra o Estado. Também significa que provavelmente consideram que o tempo está do seu lado, demograficamente falando. Os recentes confrontos na Holanda podem indicar a passagem da fase da fraqueza para a fase de preparação, havendo maior assertividade islâmica. O facto disto acontecer quando ainda só representam 6% da população holandesa pode ficar a dever-se àquilo que os muçulmanos percepcionam como sendo uma resposta fraca por parte dos holandeses.

No entanto, mesmo quando os muçulmanos são uma percentagem muito pequena da população, podem influenciar o debate sobre o Islão. Uma das primeiras coisas que Maomé e os seus companheiros fizeram em Medina foi lançar uma campanha de assassinato de carácter contra Asma bint Marwan e Abu Afak, para intimidar os críticos à submissão. Actualmente os muçulmanos seguem o exemplo traçado pelo seu profeta há 1400 anos atrás, a sua sunna. Tanto o tradutor italiano como o editor norueguês dos “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie foram quase mortos por terem tomado parte da “blasfémia” contra o Islão. O tradutor japonês foi apunhalado até à morte em Julho de 1991. Nos EUA, Steven Emerson recebeu ameaças de morte pelo seu trabalho Jihad in America, e o controverso reformador islâmico Rashid Khalifa foi declarado apóstata e assassinado em 1990 em Tucson, Arizona. Em todos estes países os muçulmanos representam 1%-2% da população, ou até menos. O recente exemplo de Theo Van Gogh demonstra o quão tóxica pode ser a presença até de uma pequena minoria islâmica.

Tal como diz o ex-muçulmano Muhammad bin Abdulla no seu livro Leaving Islam: “O Islão tem dois conjuntos de dentes, como os elefantes. Um é de marfim. O outro está escondido dentro das suas mandíbulas e é usado para mastigar e esmagar. Todas essas doces conversas de paz referem-se ao tempo e lugar do Islão fraco dos primeiros anos. Mas sempre que e quando os muçulmanos se tornam fortes adoptaram outro conjunto de cruéis leis e conduta”. Hoje, no Ocidente, assistimos à fase islâmica da fraqueza, mas a fase da jihad violenta vai chegar mais cedo ou mais tarde. A realidade é exactamente o contrário daquilo que os multiculturalistas afirmam, dizendo que os confrontos com os islâmicos diminuirão com o tempo, à medida que “nos habituamos” uns aos outros. Não diminuirão. Tornar-se-ão mais perigosos, à medida que os muçulmanos se tornam mais ousados e trabalham no sentido de silenciar os media e os moderados enquanto apoiam o terrorismo. Se não compreendermos isto, a guerra contra o Islão político em 2020 não será em Teerão, Ríade ou Bagdade. Será em Paris, Londres e Amesterdão, e talvez em Montreal, Sydney, Detroit e Nova Jérsia, também.

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