Imigração: colonização invertida

Fonte: Revista Devenir nº 12

O povo nunca pediu aos sucessivos governos que transformassem a imigração de trabalho, muito limitada, em imigração de povoamento.

Por isso, a revolta contra essa colonização imposta por uma minoria, que não se preocupa nem com o povo belga, nem com os estrangeiros que desenraíza, é a única atitude moral aceitável.

Em 1960, algumas centenas de milhar de imigrados extra-europeus tinham sido aceites em solo europeu, para trabalhar em determinados sectores muito específicos da nossa economia. Estavam munidos de contrato de trabalho temporário, com a obrigação de regressar aos seus países quando da sua expiração.

Em 2000, mais de vinte milhões de estrangeiros extra-europeus residem, permanentemente, na União Europeia, legalmente ou não. Teria o povo exprimido uma vontade solene, em grande referendo, sobre a instalação de estrangeiros no seu território? De tal referendo não existem vestígios. Na realidade, os políticos europeus, pressionados por múltiplos “lobbies” desmoralizadores, dizem, finalmente, que a colonização pacífica tem vantagens: destrói a identidade étnica de cada nação, e faz, além disso, do autóctone um cidadão colocado no mesmo plano, em termos de direitos, que os milhões de alógenos importados.

Europeus e extra-europeus com igualdade de direitos!

E, para os partidos democrata-burgueses um maná eleitoral permanente. Sem esquecer que se tinha tirado do nada uma ideologia que substituía o socialismo e o liberalismo: o universalismo, em virtude do qual cada indivíduo é intermutável. Ora, a imigração não passa de um meio nas mãos dos que nos governam. Não somente o povo nunca se exprimiu sobre a questão, mas quando for autorizado a fazê-lo será necessário derrubar o muro de silêncio e a propaganda.

Na realidade, o povo não conhece o balanço de 40 anos de imigração. As autoridades sim, conhecem-no, mas nunca o divulgam. Nós, sim: são, calculando por baixo, 2.000 milhões de francos belgas perdidos neste empreendimento, tendo em conta apenas a Bélgica. E em cada dia que passa o seu custo aumenta. Além disso, a experiência da imigração não é vivida hoje senão pelos habitantes de certos bairros das principais cidades do país. O azar é que a nossa propensão para o egoísmo nos desvia o olhar dos graves factos que afectam os que habitam no outro lado da cidade.

Quanto ao custo económico, social e judiciário, o homem da rua não tem dele a mais pequena ideia, já que nenhuma avaliação oficial é publicada. Não se tem medo de um fenómeno do qual nada se sabe… Existe, na população, apenas um sentimento difuso. Mas não basta para a fazer reagir. Assim, cabe-nos a nós fazê-la reagir, informando-a, e nem há necessidade de exagerar a realidade. Para quem se quiser informar, a situação falará por si mesma. Porque, dentro de vinte anos, será demasiado tarde. Esta informação prestada ao povo deve apoiar-se em exemplos, de tal modo evidentes que o interlocutor ou o leitor só poderá anuir.

Passemos em revista alguns exemplos.

A década de 60, quando se deu o arranque da imigração não europeia de grande amplidão, é também a do fim dos impérios coloniais europeus, e a do retorno, muitas vezes manu militari, dos colonos de raiz europeia. Milhões de colonos foram forçados a deixar as colónias, enquanto milhões de estrangeiros empreendiam o mesmo movimento, mas para os nossos países. Não existe nisso um escândalo odioso? São os mesmos que trombeteavam a descolonização e sustentavam o assassínio de europeus na Argélia e no Congo que hoje, ideologicamente e praticamente, encorajam a implantação maciça de estrangeiros no nosso solo. Com toda a impunidade.

O próprio Estado afirma que a demografia abundante dos estrangeiros, acrescentada à imigração, vai compensar o défice de nascimentos nas populações autóctones. Encoraja, deste modo, a instalação e desenvolvimento, na nossa terra, dessas populações. Estas podem conservar a integralidade das suas tradições e da sua religião, e são consideradas como comunidades absolutas. É o modelo inglês que se generaliza. Dada a queda demográfica dos europeus, forçoso é verificar que, em curto prazo, zonas inteiras do nosso território serão totalmente “alienadas”, e se desenvolverão segundo outra lógica económica, social e cultural. Mas, lançando o nosso olhar à História, sabemos que todas as sociedades comunitárias acabaram em desastre: um ou vários dos seus componentes desapareceram, ou os diferentes componentes se amalgamaram numa sociedade subdesenvolvida, ou não conservaram mais do que uma falsa identidade compósita (Bósnia, Líbano, Kosovo, Brasil, Tibete, África do Sul, Estados Unidos, sem contar os inúmeros exemplos históricos como Bizâncio, e o conjunto de países sob domínio islâmico).

Sob pretexto de respeitar integralmente os direitos do homem, os partidários do universalismo multicultural impõem deslocações maciças de populações, de um continente para outro, apoiando a sua conduta exprimindo, sem rodeios, as suas intenções: pôr fim às identidades e ao “recuo sobre si”.

Ninguém exige a estes aprendizes de feiticeiro que provem as virtudes da sua utopia universalista.

Em alguns decénios, não se sabe por que mágica senão pela utopia universalista, o estatuto do Islão passou, no espírito dos nossos contemporâneos, de religião guerreira e conquistadora a monoteísmo simpático, cuja presença cada vez mais maciça na Europa, seria definitivamente um bem para o Ocidente Cristão em agonia espiritual. Como qualquer forma de espiritualidade nascida neste planeta, o Islão é completamente respeitável. Sobretudo quando é observado nas regiões que o viram nascer. A sua força de convicção, a sua forma, o seu discurso, parecem bem adaptados aos bandos dos desertos que o abraçaram a partir do século VII. O sopro e o impulso vital desta religião permitiram-lhe gerar, há muito tempo, várias culturas próximo-orientais dignas de interesse. Pelo contrário, a relação do Islão com a Europa foi sempre conflituosa, resultante da impossibilidade ontológica do Islão se adaptar a um território como o nosso; a instalação ocasional do Islão entre nós nunca se realizou senão pela guerra. O Islão não se assimila; faz tábua rasa do que existe – e dá, provisoriamente, a impressão de conservar a civilização anterior – pois desenvolve o seu próprio modo de existência.

Citar-nos exemplos históricos, como as trocas culturais entre a Europa e os arabo ou turco-muçulmanos (e, principalmente, a transmissão via culturas islâmicas de certos conhecimentos da Grécia antiga ou da época helénica), ou a Andaluzia muçulmana, como provas indubitáveis de que o Islão é assimilável na Europa, é uma vigarice intelectual perigosa. O nosso combate é, portanto, também travado contra um Islão totalitário, tão destruidor de culturas como o americanismo.

A nossa revolta contra a transformação étnica, cultural e espiritual deverá ser constante, quer reine a concórdia beata da democracia burguesa, quer se trate de períodos de desordem ou de crises. A nossa cólera não se negoceia, assim como a nossa identidade profunda, fôssemos nós um punhado ou milhões…

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