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 <title>Matematicamente falando…</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=431</link>
<description><![CDATA[<b>Por Rodrigo Nunes (<a href="http://ofogodavontade.wordpress.com">O Fogo da Vontade</a>)</b><br />
<br />
«A Matemática consiste em provar a coisa mais evidente da forma menos evidente».<br />
- George Polyá<br />
(in Nicholas Rose, Mathematical Maxims and Minims, Raleigh N.C., 1988)<br />
<br />
Três académicos, May Lim, do NECSI e da Brandeis University, Richard Metzler, do NECSI e do MIT, e Yaneer Bar-Yam, do NECSI, investigadores, entre outras áreas, em Teoria dos Sistemas Complexos, publicaram em Setembro, na revista Science (Vol. 317, nº 5844), um interessante trabalho sobre o padrão de formação de tensões étnicas e culturais no mundo.Digo interessante não porque me tenham surpreendido os resultados, não porque me tenham surpreendido as prescrições que decorreram dos resultados, mas porque, como alude o aforismo de Polyá que encima este pequeno texto, conseguiram chegar ao que é evidente pelo mais complexo dos trajectos.<br />
<br />
Fazendo uso de um modelo matemático próprio da teoria da “separação de fases”, da Física, os autores conseguiram caracterizar e prever a formação de conflitos étnicos e culturais num mesmo espaço, com um grau de correlação superior a 90% (usando como casos de estudo a Jugoslávia e a Índia).<br />
<br />
Assim, chegaram à conclusão que os conflitos surgem quando identidades etno-culturais diferentes são obrigadas a partilhar um espaço político-territorial sob determinadas condições. A saber: a tensão social aumenta à medida que a proporção das minorias, ou o seu número relativo, deixa de ser insignificante para permitir a conquista de visibilidade e poder de reivindicação social, momento a partir do qual a sociedade perde a sua coesão tradicional e as tensões etno-culturais se tornam propícias ao eclodir de fenómenos de violência mais gravosos, dependentes então, na sua importância ou dimensão, de factores adicionais: históricos, religiosos, económicos, políticos, influências internacionais, etc.<br />
<br />
Naturalmente, compreendendo o potencial de actualidade do tema em causa, na era da mundialização liberal e das grandes migrações para o Ocidente, o relatório foi alvo de interesse e discussão para além das salas de Física ou Matemática, e atravessou os meios de análise política.<br />
<br />
A conclusão do estudo foi clara: a instabilidade e o conflito etno-cultural resultam invariavelmente da indefinição de limites ou fronteiras entre grupos diferentes no seio de um mesmo Estado, quando existe o contexto político que permite a existência de dinâmicas de contestação civil por parte das minorias étnicas (evidentemente o problema não tem o mesmo significado em regimes autoritários ou totalitários).<br />
<br />
Mas o que é que isto implica especificamente? Os autores precisam que há duas formas de alcançar essa clarificação ou essa delimitação do espaço público, sem se deitarem a tecer considerações sobre a bondade de cada uma, valha a justiça: a separação, por um lado, ou a miscigenação e integração forçada pelo Estado, por outro. De facto, não seria possível ser-se mais claro!<br />
<br />
É importante, aqui, sublinhar que os autores afirmam que a opção de separação pode ser alcançada por duas vias: ou por métodos conformes à existência dos Estados clássicos e das suas fronteiras históricas, ou seja, e para dar um exemplo no contexto da actual enxurrada imigrante para as nações da Europa, falamos de processos de expulsão. Ou então pela redefinição de novos espaços político-jurídicos que permitam a recriação de espaços públicos apartados, e embora os autores sublinhem que esta redefinição não tem por que implicar a criação de novos Estados é evidente que também não tem por que não permitir, a prazo, um reagrupamento desse tipo.<br />
<br />
Isto é de alguma relevância, porque no âmbito do combate identitário dos povos europeus (que hoje, face à submersão das suas terras por gentes que nada lhes são, é primeiramente um combate pela própria sobrevivência), é importante compreender que trilhos se abrem e podem ser percorridos e que caminhos, ainda que mais familiares ou desejados, podem estar encerrados.<br />
<br />
Por outro lado, as duas soluções que apresentam para assegurar a coesão comunitária (assimilação vs. separação) espelham em si a essência do grande combate político da pós-modernidade, porque permitem, com a maior simplicidade e naturalidade, delimitar os campos que se enfrentam. De um lado estão os que pretendem a separação clara dos espaços de forma a garantir o evo das identidades históricas, integrais, completas. Do outro encontrar-se-ão todos os que, ainda que pelas mais diferentes razões, que não dissecaremos aqui, pretendem a amálgama e a assimilação com as novas populações.<br />
<br />
Em remate, o estudo encerra em si uma espécie de paradoxo particularmente significativo: é que se as forças identitárias sempre ressalvaram a centralidade da homogeneidade etno-cultural como critério essencial para qualquer concepção perene de nação, os seus adversários, de todos os quadrantes, sempre se refugiaram, de um modo ou outro, na exaltação do contrário, porém, o que o relatório conclui é que, no final, a solução passa sempre pela procura dessa homogeneidade, é somente o modelo que difere: ou a escolha é manter o carácter particular da estirpe, as suas características físicas e culturais (ironicamente a única resposta que asseguraria, de facto, a diversidade dos povos do mundo), ou aceitar a sua transformação numa massa híbrida, mestiça, uma amálgama populacional com características próprias e novas, mas uniformizada, de facto. A necessária estabilidade que exigem todas as sociedades que pretendem prolongar-se no tempo conduzirá inevitavelmente a um desses desfechos.<br />
<br />
“Não é que eles não consigam ver a solução, é que eles não conseguem ver o problema.” (Gilbert K.Chesterton, “O Escândalo do Padre Brown”)]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=431</comments>
 <pubDate>Tue, 4 Mar 2008 17:51:52 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>Racismo? Comunitarismo?</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=430</link>
<description><![CDATA[<b>Por Pierre Vial (Editorial de «Terre et Peuple»)</b><br />
<br />
Os poderes político, mediático, cultural e económico denunciam furiosamente o racismo. Evidentemente que têm razão. Mas coloca-se a questão: que racismo é assim denunciado? Todos os racismos? Mais: onde acaba o racismo e onde começa o comunitarismo?O anti-racismo, hoje em dia, serve para tudo. Entre outros, é utilizado, por alguns, como uma arma psicológica para paralisar, neutralizar e colocar de joelhos o mundo branco. Assim, a escalada do ódio contra os europeus que se manifestou no mundo muçulmano tomando como pretexto o caso das caricaturas de Maomé paralisou os países da Europa tomados como alvo. O «Le Monde» de 14 de Fevereiro trazia a seguinte manchete: «Europa incomodada face aos ataques às suas embaixadas». E explicava: «Nem o incêndio das embaixadas da Dinamarca e da Noruega em Damasco, nem os ataques contras as embaixadas da Áustria e da França, em Teerão, provocaram reacções fortes dos países europeus (…) A Dinamarca evacuou os seus diplomatas da Indonésia, da Síria e do Irão. A União Europeia não planeia nenhuma sanção face à violência provocada pelo caso Maomé.»<br />
<br />
É o que o «Le Monde», que sabe manejar o eufemismo com mestria, chama a «abordagem embaraçada deste dossier».<br />
<br />
Embaraçada pelo quê? Pelo cagaço de dizer uma verdade politicamente muito incorrecta, a saber, que o mundo muçulmano ficou radiante por humilhar os europeus, seguro da sua impunidade dado que a sua convicção sobre a cobardia dos europeus, que tremem só de pensar que podem ser acusados de racismo, está plenamente estabelecida. Mesmo na Turquia os manifestantes muçulmanos reunidos em Istambul em frente à mesquita Beyazit vociferavam, com a aprovação tácita das autoridades: «O exército do Profeta é o terror dos infiéis! Mataremos a escumalha cruzada!» («Le Monde», 12 de Fevereiro). Os amantes do kebab têm razão: os turcos são realmente humanistas e merecem, efectivamente, o seu lugar na Europa…<br />
<br />
Mudemos de local. Na ilha de São Martinho, que pertence ao arquipélago de Guadalupe, também há muitos humanistas (e são franceses, entenda-se). Foi lá que o ‘gendarme’ Raphaël Clin, da brigada de Marigot, bravo servidor da República, de 31 anos, pai de uma filha de 4 anos, foi morto por um ‘motard’ doido enquanto tentava, o infeliz, fazer cumprir a lei. Raphaël agonizou no meio da rua enquanto, ao seu redor, os guadalupenses presentes se congratulavam ruidosamente por ver este ‘gendarme’, este branco, em vias de morrer. No hospital, onde sucumbiu às feridas, a sua esposa Stéphanie foi recebida com insultos, aplausos e gritos de alegria e vitória dos guadalupenses: «Matou-se um branco!» («Minute», 22 de Fevereiro).<br />
<br />
Um amigo próximo do ‘gendarme’ assassinado explica: «Uma parte da população de São Martinho mantém em relação à população metropolitana em geral e às forças da ordem em especial um ódio selvagem. Este ódio tem um nome, é o racismo.»<br />
<br />
Não assistiram às exéquias do ‘gendarme’ Clin nem o presidente da câmara municipal de Marigot (UMP), nem Michèle Alliot-Marie, ministro da Defesa que tem a ‘gendarmerie’ sob as suas ordens, nem Nicolas Sarkozy, habitualmente tão rápido a consolar as famílias quando a vítima é de origem africana. Quanto a Chirac, evidentemente não teve tempo de enviar uma mensagem de duas linhas à família de um morto sem importância. Um simples ‘gendarme’, o que é que interessa? Um simples ‘gendarme’, cujo assassinato não comoveu nenhuma das ligas de virtudes anti-racistas no entanto habitualmente tão rápidas a protestar ruidosamente à mínima oportunidade.<br />
<br />
Oito dias após o drama, o único político a ter-se manifestado é Philippe de Villiers, que denunciou o «incrível mutismo dos media e dos políticos face a este acto de racismo anti-branco (…) O silêncio dos poderes públicos, como das associações “anti-racistas”, é um insulto à memória deste homem. Onde estão os moralistas, os defensores dos direitos do homem? Haverá dois pesos e duas medidas?»<br />
<br />
Podemos de facto interrogar-nos, quando vemos Chirac precipitar-se de barriga para baixo na sinagoga da rua da Vitória, em Paris. Acompanhado pelo primeiro-ministro, pelos presidentes da Câmara dos deputados e do Senado, por numerosos ministros – todos com a kippa regulamentar – ele veio, a 23 de Fevereiro, oficializar a importância nacional dada à morte de Ilan Halimi, sequestrado e morto por um bando de delinquentes dirigidos por Youssouf Fofana, costa-marfinense – perdão, um francês, dado que parece que este personagem é francês…<br />
<br />
Este interessante ‘gentleman’, que faz declarações irónicas à frente de uma câmara de televisão do fundo da sua prisão costa-marfinense (deve ser terrivelmente severa, a prisão…), já tinha sido objecto de 13 processos por roubo à mão armada, roubo com arrombamento, roubo com violência, violências voluntárias, insulto a agentes (pergunta interessante: que condenações puniram estes delitos? Mistério…).<br />
<br />
Os dois juízes responsáveis pela instrução consideraram imediatamente «como circunstância agravante o carácter anti-semita do sequestro e das torturas sofridas por Ilan Halimi» («Le Monde», 22 de Fevereiro) – o Ministro da Justiça, Pascal Clément, confirma esta opção – «por outro lado os polícias encarregues da investigação continuam apreensivos quanto a esta motivação.»<br />
<br />
«Ilan morreu por ser judeu?». A esta questão colocada por Roger Cukierman, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF), Sarkozy respondeu, sem hesitar, pela afirmativa (Jospin, mais cuidadoso, declarou: «há a suspeita de anti-semitismo…»). Empregada de recepção no centro Rachi, que abriga, em Paris, ao mesmo tempo o CRIF e o Fundo Social Judaico Unificado, Ruth Halimi, a mãe de Ilan, é categórica: o seu filho «foi sacrificado em nome de todos os jovens judeus». O mesmo se pode ouvir dos antigos colegas de Ilan, que trabalham numa vintena de lojas da alameda Voltaire, dedicadas aos telemóveis («Quase todas, precisa o «Le Munde» de 23 de Fevereiro, pertencem a membros da comunidade judaica»): um deles resume o seu ponto de vista afirmando «Se Ilan não fosse judeu, tê-lo-íamos reencontrado vivo».<br />
<br />
Este tipo de declaração, reflectido e amplificado por organizações comunitárias «duras» como a Liga de Defesa Judaica, que acusam facilmente o CRIF de «brandura», forçaram as principais autoridades judaicas a endurecer o tom. O Presidente do CRIF inicialmente mostrou-se cuidadoso. Com efeito, ele recorda-se da deplorável impressão deixada por dois acontecimentos confusos: o incêndio de um centro social judaico denunciado como atentado anti-semita – enquanto que o inquérito provou que o incendiário era um judeu irascível – e a falsa agressão «anti-semita» inventada por um mitómano. Mas, pressionado pelos elementos mais activistas da sua comunidade, finalmente alinhou-se com eles.<br />
<br />
O comunitarismo levou membros da Liga de Defesa Judaica, aquando de uma manifestação em Paris, a 19 de Fevereiro, a atacar magrebinos e negros («Le Monde», 23 de Fevereiro). Uma engrenagem que os polícias temem («temem relançar a confrontação com os muçulmanos» declarou o tio de Ilan Halimi ao diário israelita Haaretz). Este temor de uma explosão comunitária é compartilhado pelo sociólogo Michel Wieviorka, que pretende fazer abstracção da sua pertença à comunidade judaica para analisar a situação: «Uma pressão muito grande e corre-se o risco de comunitarizar em excesso este caso (…) Seria um erro explicar este crime por critérios étnico-religiosos ou raciais». No entanto concede: «É verdade que, hoje, é sobretudo no seio da população imigrada proveniente do mundo árabe/muçulmano, da África subsariana, mas também das Antilhas, que se encontram todas as espécies de expressões espontâneas de ódio aos judeus».<br />
<br />
Comunitarismo? Todos os observadores notaram que a manifestação de 26 de Fevereiro, em Paris, em memória de Ilan Halimi, agrupou essencialmente judeus. E, «de vez em quando, uma grande bandeira israelita era brandida acima da multidão, provocando aclamações.»]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=430</comments>
 <pubDate>Tue, 4 Mar 2008 17:51:15 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>Entrevista com Miguel Ezquerra</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=429</link>
<description><![CDATA[<i>Miguel Ezquerra foi um dos últimos defensores de Berlim, combatendo até ao fim o avanço das hordas comunistas entre as ruínas da cidade. Dele existe em português um livro de memórias, recentemente reeditado. A entrevista a seguir transcrita foi publicada na já extinta revista Último Reduto.</i><br />
<br />
*	*	*Há vários anos que não via Miguel. A sua epopeia é conhecida. Primeiro na Cruzada de libertação espanhola, depois como voluntário da Divisão Azul, que combateu o comunismo na própria estepe russa, mais tarde, nos momentos difíceis, na encruzilhada da História, quando o mundo punha em jogo, não duas partes contundentes, mas duas culturas, duas civilizações, dois conceitos da vida e da História, ali estava Miguel Ezquerra, de rosto voltado para o inimigo sempiterno, valente e heroicamente, como testemunho e como exemplo, dando a cara à morte e batendo-se entre dois fogos para defender o último bastião da honra e da dignidade. E, no final da contenda, naquela cidade do Reich, naquela amálgama de ferros retorcidos e casas derrubadas, no meio daquele montão de cordilheiras de escombros onde antes existiam avenidas, entre aqueles rapazes imberbes da Juventude Hitleriana, ali estava Miguel Ezquerra a escrever uma página ilustre e a pôr um acento latino e ibérico na batalha de Berlim.<br />
<br />
Marquei o número do telefone de Miguel, anotado numa velha agenda. Do outro lado do fio respondeu uma voz feminina onde reconheci imediatamente, não obstante tanto tempo decorrido, a voz afável da mulher de Ezquerra. Ao perguntar-lhe pelo marido, depois de ter-me dado a conhecer, trocamos algumas palavras de cortesia. Miguel pegou no telefone e… todo aquele tempo que gastamos a falar, condensou-se num breve instante. Voltava a repetir-se aquele «como dizíamos ontem…», como se, no nosso último encontro, nos tivéssemos despedido com um simples «até logo». Conversamos durante vários minutos, tendo eu manifestado a vontade de lhe fazer uma entrevista para a publicação Último Reduto, editada no Porto. Tudo foi rápido, e, no dia seguinte, encontrava-me em sua casa, onde era esperado pelo meu velho e inestimável amigo e onde, depois de uma conversação amena e agradável saboreámos familiarmente um café fumegante.<br />
<br />
Miguel Ezquerra é um homem jovial e um conversador sereno; é um homem que fala com o coração e exterioriza com a expressão terna e contundente dos seus olhos claros. O seu relato foi de um interesse notável. Ele foi um protagonista da primeira linha e, quando fala de factos e de efemérides, não o faz por tê-los ouvido narrar: fala na primeira pessoa do singular.<br />
<br />
P.: Como foste escolhido para dirigir os espanhóis que combateram até ao fim da II Guerra Mundial?<br />
<br />
R.: Uma ordem assinada pelo próprio Hitler autorizava-me a alistar todos os espanhóis, onde quer que se encontrassem, trabalhando em fábricas, enquadrados noutras unidades e inclusive na prisão, que quisessem fazer parte dos comandos.<br />
<br />
P: Como eram os combatentes da unidade Ezquerra?<br />
<br />
R.: A minha unidade era formada por todos aqueles que queriam honrar o seu juramento e que tinham já forjado a sua têmpera no campo de batalha. Na minha unidade não havia novatos nem pusilânimes, daqueles que nada têm dentro de si próprios. Os meus soldados não eram uma tropa mercenária, mas homens iluminados por um ideal e dispostos a defender um dos últimos redutos da Civilização, ameaçado pela maré vermelha.<br />
<br />
P.: Qual foi o sector que te destinaram para a defesa na capital do Reich?<br />
<br />
R.: Foi o da zona dos Ministérios, situada entre as ruas Hermann Goering, Friedrich e Unter den Linden. Também ficámos de prevenção para colmatar qualquer brecha onde quer que surgisse. Não tínhamos tempo para descansar. Nem sossego. Acudíamos a todos os lugares ameaçados, lutando de edifício em edifício, casa a casa, piso a piso, em ruas e praças, defendendo o terreno palmo a palmo. Naquela defesa inaudita, juntávamo-nos aos valentes rapazes da Juventude Hitleriana — cujo valor jamais se apagará da minha memória — e a estóicos soldados alemães curtidos em todas as frentes.<br />
<br />
P.: Que espectáculo apresentava Berlim nos últimos dias da guerra?<br />
<br />
R.: Espantoso! Terrível! Mas, no fundo, maravilhoso, ao ver-se aquela gente preferir morrer a render-se. Recordo-me do caso de um velho sapateiro, cujos dois filhos tinham morrido na frente do Leste, pedir-me uma pistola para morrer a defender a sua pátria, dizendo-me que se o carregador acabasse a última bala seria reservada para si próprio. Ele não queria ver o final daquele mundo novo — o nacional socialismo — que, quando começava a amanhecer, com poucos anos de vida, forças tenebrosas afogavam em sangue.<br />
<br />
P.: Como foi a tua entrevista em Hitler nas vésperas do fim?<br />
<br />
R.: A minha entrevista com Hitler foi muito breve. Ao vê-lo, perfilei-me e permaneci rígido conto uma estátua. O Führer adiantou-se e, olhando-me fixamente nos olhos, começou a falar. Então compreendi a fascinação que aquele grande condutor do povo alemão exercia, quer sobre os homens, quer sobre as massas. Conferiu-me a cruz de cavaleiro; respondi-lhe laconicamente, agradecendo a honra que concedia. Hitler estendeu-me a mão e olhou-me, como se quisesse adivinhar os meus pensamentos. Repetiu que se sentia orgulhoso de nós e deu por terminada a entrevista. Foi a minha despedida daquele grande Chefe de ar algo fatigado mas muito tranquilo, de forma alguma completamente destroçado, como se comentou e repetiu até à saciedade em livros e revistas.<br />
<br />
P.: Como era a Europa dos heróis com que sonhavas, na tua juventude?<br />
<br />
R.: Era uma Europa digna, cavalheiresca, com respeito pelas pedras e lares da nossa civilização, como a família, célula primária social e racial. Para mim, existiam dois valores intrinsecamente ligados, que eram a Pátria e a Dignidade ou a Dignidade e a Pátria. Esses valores superiores, elevados, altruístas, nobres, eram os atributos que implantávamos nos nossos sonhos de uma Europa no futuro. Sabíamos que a empresa não era fácil, que os inimigos eram muito, que o materialismo tudo faria para afogar o espiritual. Mas havia que tentá-la e, uma vez iniciada, defendê-la até ao último reduto.<br />
<br />
Deixamos de falar da História passada; formulei-lhe uma pergunta sobre a história recente, sobre a multitudinária manifestação que reuniu em Madrid quase um milhão de pessoas, por ocasião do aniversário de Francisco Franco, Caudilho de Espanha, e de José António Primo de Rivera, fundador, guia e capitão da Falange Espanhola. O Governo, torpemente, tentou impedir a comemoração do aniversário, mas o povo de Madrid saiu para a rua na manhã ensolarada de 27 de Novembro entre um flamejar de bandeiras nacionais e um grito unânime de patriotismo e de esperança.<br />
<br />
P.: Como julgas tu, Miguel, a vaga humana que, espontaneamente, se manifestou nas ruas de Madrid, o ano passado, motivada pelo 20 de Novembro?<br />
<br />
R.: Foi uma grande alegria, uma alegria imensa e um erro crasso do Governo tentar proibir que nos concentrássemos na Praça da Lealdade, como devia chamar-se. Foi uma lição dada ao mundo: apesar de todos os inconvenientes e dificuldades e da campanha da imprensa e da televisão contra a celebração do acto o povo espanhol teve o gesto galhardo da fidalguia. Ninguém conseguirá amarfanhar o nosso povo. Como pode ver-se há ainda muita gente que não perdeu a honra e que ainda sente vergonha. A minha alegria foi ainda maior ao verificar que essa grande multidão era integrada pela juventude da Espanha, e isso foi com que um sopro de confiança de ânimo para o futuro.<br />
<br />
Com estas palavras de conforto, pusemos ponto final a uma entrevista que durou algumas horas, da qual destaquei o mais interessante. Lá fora, em Madrid, a temperatura era rigorosa. Uma chuva miudinha começava a humedecer o pavimento da grande urbe. Miguel acompanhou-me até à porta, disse-me um «hasta siempre»…<br />
<br />
De forma reflexa e instantânea, os nossos braços direitos levantaram-se, tal como flechas, em direcção ao céu…]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=429</comments>
 <pubDate>Tue, 4 Mar 2008 17:50:29 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>O “Dia D” como Hollywood nunca há-de mostrar ou “o livro que jamais será filme”</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=428</link>
<description><![CDATA[<b>Por Juan C. Garcia («Mi amigo Pic», 05/05/2004, traduzido por Rodrigo Nunes)</b><br />
Graças ao impagável e pedagógico trabalho de Hollywood sabemos hoje que os soldados norte-americanos intervieram na segunda guerra mundial armados com sorrisos, torrões de açúcar, chicletes e bíblias. Em Madrid, por estes dias, aproximando-se o aniversário do famoso “Dia D” – 6 Junho – expõe-se inclusive uma colecção de fotografias de “soldados de cor” que tombaram nas costas da Normandia e que, portanto, jamais regressariam a casa. Foram, sem dúvida, vítimas daqueles esbirros de Mefistófeles, as «bestas negras» e seus aliados que, estes sim, combatiam com armas mortíferas e, por demais, pretendiam – muito perversos, eles – tirar-nos os domingos de futebol e as férias pagas.O problema deste conto de fadas é que logo surgem os historiadores – aos quais há agora que somar alguns soldados “irresponsáveis” que não têm outra alternativa que levar com câmaras digitais em cima – e nos estragam a festa.<br />
<br />
Por que digo isto? As Edições Payot, de França, publicaram o ano passado um livro do professor J. Robert Lilly intitulado “La face cachée des GI’s. Les viols commis par les soldats américains en France, en Anglaterre et en Allemagne pendant la Seconde Guerre mondiale” que, a meu ver, deveria ser de leitura obrigatória para os nossos académicos e para algum leigo que ainda continue debaixo do seu jugo.<br />
<br />
Segundo este historiador norte-americano, especializado em questões de criminologia, entre 1942 e 1945 cerca de 17.000 mulheres e crianças foram violadas em território europeu por soldados das “listas e estrelas”. Lilly estabelece em 2.420 as violações em Inglaterra, em 3.620 as violações em França e 11.040 as violações na Alemanha e acrescenta um dado mais: 84% dos violadores eram militares negros. Apenas metade dos violadores foram, em maior ou menor grau, sancionados. Em França, país “aliado” - como a Inglaterra, não nos esqueçamos deste facto -, unicamente 21 militares, 18 negros e 3 brancos, foram fuzilados sumariamente por estas práticas aberrantes. Na Alemanha, pelo contrário, a situação foi infinitamente mais permissiva: só 1/3 dos violadores foram sancionados e não houve uma única condenação à pena capital. “À época das violações na Alemanha- escreve J. Robert Lilly - , os soldados negros beneficiaram, por outro lado, de uma espécie de reabilitação em razão da sua contribuição ao esforço de guerra”.<br />
<br />
O livro contém uma minuciosa tipologia sobre os autores das agressões e suas vítimas, assim como interessantes precisões sobre um grande número de actos de vandalismo cometidos pelos norte-americanos. Desgraçadamente, o texto não aborda a “libertação” de Itália onde as violações a mulheres e crianças – com a inestimável ajuda humanitária dos “partigiani” e das organizações mafiosas, que colaboraram amplamente com os invasores a troco de imunidade para as suas actividades criminosas –, alcançaram dimensões verdadeiramente dantescas e números ainda mais horrendos.<br />
<br />
Convém desmistificar, no calor daquela data, as “ânsias libertadoras” dos europeus durante a segunda guerra mundial. Basta recordar, escassos dias depois do desembarque norte-americano na costa da Normandia, os relatos do periodista Rex North, censurados pela “Psychological Warfare Division”, a estrutura de guerra psicológica do exército norte-americano, e que, em 2001, no nº 73 do “The Journal of Modern History”, foram amplamente reproduzidas. Num dos seus parágrafos podemos ler: “60% da população local detesta-nos. O pior é que inclusive um em cada dois franceses prefere os alemães e assim é impossível ter confiança com os autóctones. Como todos, eu esperava que as tropas aliadas seriam acolhidas como libertadoras, mas uma semana depois sinto-me rejeitado pelos franceses. Acreditava vir encontrar uma população esfomeada e oprimida que aguardava os nossos soldados com impaciência, e o caso é que metade dos franceses que encontrei na Normandia não têm nenhuma vontade de ser libertados”.]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=428</comments>
 <pubDate>Mon, 18 Feb 2008 01:51:15 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>Armin Mohler: discípulo de Sorel e teórico da vida concreta</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=427</link>
<description><![CDATA[<b>Por Dr. Karlheinz Weissmann (Junge Freiheit, n°15/2000, traduzido por Rodrigo Nunes)</b><br />
<br />
O “mito”, como a “representação de uma batalha”, surge espontaneamente e exerce um efeito mobilizador sobre as massas, incute-lhes uma “fé” e torna-as capazes de actos heróicos, funda uma nova ética: essas são as pedras angulares do pensamento de Georges Sorel (1847-1922). Este teórico político, pelos seus artigos e pelos seus livros, publicados antes da primeira guerra mundial, exerceu uma influência perturbante tanto sobre os socialistas como sobre os nacionalistas.Contudo, o seu interesse pelo mito e a sua fé numa moral ascética foram sempre – e continuam a sê-lo apesar do tempo que passa – um embaraço para a esquerda, da qual ele se declarava. Podemos ainda observar esta reticência nas obras publicadas sobre Sorel no fim dos anos 60. Enquanto algumas correntes da nova esquerda assumiram expressamente Sorel e consideravam que a sua apologia da acção directa e as suas concepções anarquizantes, que reclamavam o surgimento de pequenas comunidades de “produtores livres”, eram antecipações das suas próprias visões, a maioria dos grupos de esquerda não via em Sorel mais que um louco que se afirmava influenciado por Marx inconscientemente e que trazia à esquerda, no seu conjunto, mais dissabores que vantagens. Jean-Paul Sartre contava-se assim, evidentemente, entre os adversários de Sorel, trazendo-lhes a caução da sua notoriedade e dando, ipso facto, peso aos seus argumentos.<br />
<br />
Quando Armin Mohler, inteiramente fora dos debates que agitavam as esquerdas, afirmou o seu grande interesse pela obra de Sorel, não foi porque via nele o “profeta dos bombistas” (Ernst Wilhelm Eschmann) nem porque acreditava, como Sorel esperara no contexto da sua época, que o proletariado detivesse uma força de regeneração, nem porque estimava que esta visão messiânica do proletariado tivesse ainda qualquer função. Para Mohler, Sorel era um exemplo sobre o qual meditar na luta contra os efeitos e os vectores da decadência. Mohler queria utilizar o “pessimismo potente” de Sorel contra um “pessimismo debilitante” disseminado nas fileiras da burguesia.<br />
<br />
Rapidamente Mohler criticou a “concepção idílica do conservantismo”. Ao reler Sorel percebeu que é perfeitamente absurdo querer tudo “conservar” quando as situações mudaram por todo o lado. A direita intelectual não deve contentar-se em pregar simplesmente o bom-senso contra os excessos de uma certa esquerda, nem em pregar a luz aos partidários da ideologia das Luzes; não, ela deve mostrar-se capaz de forjar a sua própria ideologia, de compreender os processos de decadência que se desenvolvem no seu seio e de se desembaraçar deles, antes de abrir verdadeiramente a via a uma tradução concreta das suas posições.<br />
<br />
<b>Uma aversão comum aos excessos da ética da convicção</b><br />
<br />
Quando Mohler esboça o seu primeiro retrato de Sorel, nas colunas da revista Criticón, em 1973, escreve sem ambiguidades que os conservadores alemães deveriam tomar esse francês fora do comum como modelo para organizar a resistência contra a “desorganização pelo idealismo”. Mohler partilhava a aversão de Sorel contra os excessos da ética da convicção. Vimo-la exercer a sua devastação na França de 1890 a 1910, com o triunfo dos dreyfusards e a incompreensão dos Radicais pelos verdadeiros fundamentos da Cidade e do Bem Comum, vimo-la também no final dos anos 60 na República Federal, depois da grande febre “emancipadora”, combinada com a vontade de jogar abaixo todo o continuum histórico, criminalizando sistematicamente o passado alemão, tudo taras que tocaram igualmente o “centro” do tabuleiro político.<br />
<br />
Para além destas necessidades do momento, Mohler tinha outras razões, mais essenciais, para redescobrir Sorel. O anti-liberalismo e o decisionismo de Sorel haviam impressionado Mohler, mais ainda do que a ausência de clareza que recriminamos no pensamento soreliano. Mohler pensava, ao contrário, que esta ausência de clareza era o reflexo exacto das próprias coisas, reflexo que nunca é conseguido quando usamos uma linguagem demasiado descritiva e demasiado analítica. Sobretudo “quando se trata de entender elementos ou acontecimentos muito divergentes uns dos outros ou de captar correntes contrárias, subterrâneas e depositárias”. Sorel formulou pela primeira vez uma ideia que muito dificilmente se deixa conceptualizar: as pulsões do homem, sobretudo as mais nobres, dificilmente se explicam, porque as soluções conceptuais, todas feitas e todas apropriadas, que propomos geralmente, falham na sua aplicação, os modelos explicativos do mundo, que têm a pretensão de ser absolutamente completos, não impulsionam os homens em frente mas, pelo contrário, têm um efeito paralisante.<br />
<br />
<b>Ernst Jünger, discípulo alemão de Georges Sorel</b><br />
<br />
Mohler sentiu-se igualmente atraído pelo estilo do pensamento de Sorel devido à potencialidade associativa das suas explicações. Também estava convencido que este estilo era inseparável da “coisa” mencionada. Tentou definir este pensamento soreliano com mais precisão com a ajuda de conceitos como “construção orgânica” ou “realismo heróico”. Estes dois novos conceitos revelam a influência de Ernst Jünger, que Mohler conta entre os discípulos alemães de Sorel. Em Sorel, Mohler reencontra o que havia anteriormente descoberto no Jünger dos manifestos nacionalistas e da primeira versão do Coração Aventureiro (1929): a determinação em superar as perdas sofridas e, ao mesmo tempo, a ousar qualquer coisa de novo, a confiar na força da decisão criadora e da vontade de dar forma ao informal, contrariamente às utopias das esquerdas. Num tal estado de espírito, apesar do entusiasmo transbordante dos actores, estes permanecem conscientes das condições espacio-temporais concretas e opõem ao informal aquilo que a sua criatividade formou.<br />
<br />
<b>O “afecto nominalista”</b><br />
<br />
O que actuava em filigrana, tanto em Sorel como em Jünger, Mohler denominou “afecto nominalista”, isto é, a hostilidade a todas as “generalidades”, a todo esse universalismo bacoco que quer sempre ser recompensado pelas suas boas intenções, a hostilidade a todas as retóricas enfáticas e burlescas que nada têm a ver com a realidade concreta. É portanto o “afecto nominalista” que despertou o interesse de Mohler por Sorel. Mohler não mais parou de se interessar pelas teorias e ideias de Sorel.<br />
<br />
Em 1975 Mohler faz aparecer uma pequena obra sucinta, considerada como uma “bio-bibliografia” de Sorel, mas contendo também um curto ensaio sobre o teórico socialista francês. Mohler utilizou a edição de um fino volume numa colecção privada da Fundação Siemens, consagrado a Sorel e devida à pluma de Julien Freund, para fazer aparecer essas trinta páginas (imprimidas de maneira tão cerrada que são difíceis de ler!) apresentando pela primeira vez ao público alemão uma lista quase completa dos escritos de Sorel e da literatura secundária que lhe é consagrada. A esta lista juntava-se um esboço da sua vida e do seu pensamento.<br />
<br />
Nesse texto, Mohler quis em primeiro lugar apresentar uma sinopse das fases sucessivas da evolução intelectual e política de Sorel, para poder destacar bem a posição ideológica diversificada deste autor. Esse texto havia sido concebido originalmente para uma monografia de Sorel, onde Mohler poria em ordem a enorme documentação que havia reunido e trabalhado. Infelizmente nunca a pôde terminar. Finalmente, Mohler decidiu formalizar o resultado das suas investigações num trabalho bastante completo que apareceu em três partes nas colunas da Criticón em 1997. Os resultados da análise mohleriana podem resumir-se em 5 pontos:<br />
<br />
<b>Uma nova cultura que não é nem de direita nem de esquerda</b><br />
<br />
1. Quando falamos de Sorel como um dos pais fundadores da Revolução Conservadora reconhecemos o seu papel de primeiro plano na génese deste movimento intelectual que, como indica claramente o seu nome, não é “nem de direita nem de esquerda” mas tenta forjar uma “nova cultura” que tomará o lugar das ideologias usadas e estragadas do século XIX. Pelas suas origens este movimento revolucionário-conservador é essencialmente intelectual: não pode ser compreendido como simples rejeição do liberalismo e da ideologia das Luzes.<br />
<br />
2. Em princípio, consideramos que os fascismos românicos ou o nacional-socialismo alemão tentaram realizar este conceito, mas estas ideologias são heresias que se esquecem de levar em consideração um dos aspectos mais fundamentais da Revolução Conservadora: a desconfiança em relação às ideias que evocam a bondade natural do homem ou crêem na “viabilidade” do mundo. Esta desconfiança da RC é uma herança proveniente do velho fundo da direita clássica.<br />
<br />
3. A função de Sorel era em primeiro lugar uma função catalítica, mas no seu pensamento encontramos tudo o que foi trabalhado posteriormente nas distintas famílias da Revolução Conservadora: o desprezo pela “pequena ciência” e a extrema valorização das pulsões irracionais do homem, o cepticismo em relação a todas as abstracções e o entusiasmo pelo concreto, a consciência de que não existe nada de idílico, o gosto pela decisão, a concepção de que a vida tranquila nada vale e a necessidade de “monumentalidade”.<br />
<br />
Não há “sentido” que exista por si mesmo.<br />
<br />
4. Nesta mesma ordem de ideias encontramos também esta convicção de que a existência é desprovida de sentido (sinnlos), ou melhor: a convicção de que é impossível reconhecer com certeza o sentido da existência. Desta convicção deriva a ideia de que nunca fazemos mais que “encontrar” o sentido da existência forjando-o gradualmente nós próprios, sob a pressão das circunstâncias e dos acasos da vida ou da História, e que não o “descobrimos” como se ele sempre tivesse estado ali, escondido por detrás do ecrã dos fenómenos ou epifenómenos. Depois, o sentido não existe por si mesmo porque só algumas raras e fortes personalidades são capazes de o fundar, e somente em raras épocas de transição da História. O “mito”, esse, constitui sempre o núcleo central de uma cultura e compenetra-a inteiramente.<br />
<br />
5. Tudo depende, por fim, da concepção que Sorel faz da decadência – e todas as correntes da direita, por diferentes que sejam umas das outras, têm disso unanimemente consciência – concepção que difere dos modelos habituais; nele é a ideia de entropia ou a do tempo cíclico, a doutrina clássica da sucessão constitucional ou a afirmação do declínio orgânico de toda a cultura. Em «Les Illusions du progrès» Sorel afirma: “É charlatanice ou ingenuidade falar de um determinismo histórico”. A decadência equivale sempre à perda da estruturação interior, ao abandono de toda a vontade de regeneração. Sem qualquer dúvida, a apresentação de Sorel que nos deu Mohler foi tornada mais mordaz pelo seu espírito crítico.<br />
<br />
<b>Uma teoria da vida concreta imediata</b><br />
<br />
Contudo, algumas partes do pensamento soreliano nunca interessaram Mohler. Nomeadamente as lacunas do pensamento soreliano, todavia patentes, sobretudo quando se tratou de definir os processos que deveriam ter animado a nova sociedade proletária trazida pelo “mito”. Mohler absteve-se igualmente de investigar a ambiguidade de bom número de conceitos utilizados por Sorel. Mas Mohler descobriu em Sorel ideias que o haviam preocupado a ele também: não se pode, pois, negar o paralelo entre os dois autores. As afinidades intelectuais existem entre os dois homens, porque Mohler como Sorel, buscaram uma “teoria da vida concreta imediata” (recuperando as palavras de Carl Schmitt).]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=427</comments>
 <pubDate>Mon, 18 Feb 2008 01:50:39 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>Manifesto de Doutrina e Combate da AEV</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=426</link>
<description><![CDATA[«…é o avançar da horda em massa compacta de rebanhos focinhos baixos para a ração comunista, promiscuidade infame de corpos, consciências mortas no ateísmo, dentes rangendo com ódio a toda a civilização.»<br />
<br />
&#8213; Pequito Rebelo, «Duas Economias»<br />
<br />
CAMARADAS:<br />
<br />
Os estudantes portugueses, filiados na AEV, nesta hora sacudida de violências que a humanidade atravessa, querem marcar com nitidez a sua posição intelectual em face de um velho mundo que se desmorona e de um novo mundo que nasce.Cientes de que chegou o momento preciso de definir campos, não querem os estudantes remeter-se ao fácil comodismo da neutralidade em matéria política, social e espiritual, quando por toda a parte a consciência das novas gerações se revolta contra as últimas consequências da torpe civilização burguesa e capitalista. A hora actual, cheia de virilidade e de audácia, é bem a hora da juventude. «Todo o adolescente se sente construtor de um mundo novo» — dizia ainda há pouco o penetrante crítico russo Berdiaeff.<br />
<br />
Com a autoridade moral que temos, lançamos a todos os estudantes de Portugal, a todo o trabalhador honrado, a todo o povo que sofre, o nosso primeiro Manifesto de Doutrina e Combate.<br />
<br />
Orienta-o a verdade. Por ela lutamos, pela sua integral efectivação não cessamos de combater.<br />
<br />
Não vimos organizar a marcha do ódio; não nos interessam, sob qualquer aspecto, os pregoeiros das doutrinas que combatemos. Muito acima dos homens vivem as ideias. Só elas nos obrigam a marcar inconfundíveis posições. É nefando pecado de inteligência reconhecer o Erro, vê-lo alastrar imponentemente e não tentar destruí-lo. Consideramos a pior das indignidades, desprezar desdenhosamente a acção deletéria das falsas teorias, só porque nos causa repugnância o simples contacto com elas. O vanguardismo não é um movimento de snobismo político. É uma trincheira ocupada por soldados vigilantes. Se nela casualmente aparecer um que não cumpra rigorosamente os seus deveres, será, sem remissão, enviado para a retaguarda — refúgio dos inúteis, dos egoístas, dos fracos, dos precocemente envelhecidos.<br />
<br />
O vanguardismo é um movimento de exaltação nacionalista, um voluntariado que exige todos os sacrifícios e, como recompensa, oferece a cada soldado a suprema glória de compartilhar na Vitória total da Ideia.<br />
<br />
Postas com clareza estas considerações, resta-nos exigir do nosso adversário aquela consideração que nunca a mocidade da Escola sabe regatear a quem se bate com nobreza.<br />
<br />
Acreditamos que a maior parte dos estudantes ao perfilhar irreflectidamente os dogmas e as ficções do comunismo, encapotado ou descoberto, não avalia a que infinidade de contradições e ilogismos a conduz o sistema pelo qual se bate.<br />
<br />
O comunismo materialista, desprezando todos os valores morais, é a negação da personalidade, rouba-lhe todo o valor e toda a significação, é o aniquilamento total do Homem, a sua mecanização obrigatória.<br />
<br />
*	*	*<br />
<br />
No campo social, o predomínio de uma classe sobre as outras; no político, o regresso à autocracia primitiva; no económico, a primazia do consumo sobre a produção; no espiritual, a substituição do sobrenatural por um ateísmo grosseiro, imposto pela violência sistemática, que endeusa uma classe, considerada messiânica, e dela faz o ‘deus ex machina’ de toda a vida superior. Acrescenta-se a este somatório de ideias o desbragamento sexual, (conhecido pelo eufemismo de Eugénica) destruidor da família e que já se pratica barbaramente na Rússia, e temos criado o ente boçal, vegetando ao sabor do instinto e das paixões, besta desenfreada, amarrada à terra, tipo perfeito de escravo e de bruto moderno. O comunismo é mais um movimento de exploração sentimental, provocado pelos exageros condenáveis do capitalismo burguês, — um apelo às fáceis emoções das massas — que um digno movimento de libertação do Homem.<br />
<br />
Os seus apologetas, os seus agitadores, sabem em consciência, que importa criar uma idolatria, um deísmo pagão, ao qual vivam amarradas as multidões. Por isso não cessam de lhes gritar que a guerra consome ‘apenas’ o seu sangue generoso; que o seu trabalho é o oiro do burguês; que os seus filhos são os famintos da roda da fortuna.<br />
<br />
Mas que autoridade, camaradas, têm estes ‘emancipadores’ para lutar contra a guerra, se aceitam e defendem o maior exército do mundo — o exército vermelho de Estaline — e a sanguinolenta polícia dos déspotas russos — a Guépéou?<br />
<br />
Que autoridade têm estes propagandistas do marxismo-leninismo, quando sabem que o trabalho na Rússia é a brutalidade mais desumana que se concebe, e que o suor que ele consome entesoura-se feito oiro nas maciças arcas do Estado-patrão, do Estaido-capitalista, do Estado-senhor-único e indiscutível da vontade dos escravos que o servem e o sustentam?<br />
<br />
Que autoridade têm estes ‘libertadores’ para combater a tristíssima miséria das proles operárias, quando sabem que o filho do russo é hoje um ‘filho de ninguém’, vivendo na Rua e da Rua e tendo, excepcionalmente, o Estado como madrasta?<br />
<br />
Que autoridade invocam eles para protestar contra as injustiças sociais, se sobrepuseram o interesse de uma classe ao interesse das restantes?<br />
<br />
Considerando a Natureza infalível, o comunista, satânicamente, pretende irracionalizar o Homem, destruindo nele os direitos sagrados do Espírito, o condicionalismo imposto pelas regras da moral cristã, pelas quais a humanidade se engrandece e redime. A justiça social do comunismo funda-se no arbítrio sistemático, tipo específico de opressão ilimitada.<br />
<br />
Mas será o comunismo materialista apenas um sistema estritamente social, imposto pelo ódio e pela vingança do ateísmo marxista aos Estados burgueses, que se decompõem miseravelmente na luta permanente dos interesses privados? Não, camaradas! O comunismo é uma religião satânica, portadora de uma ética integral, com os seus dogmas, seus catecismos, seus cultos embrionários. Como penetrantemente nos ensina um russo eminente, o comunismo dirige-se às almas, para as entusiasmar, incute-lhes o prazer do sacrifício. «São as energias religiosas da alma que são utilizadas por ele ao serviço de uma ideologia ateia». Religião primitiva que diviniza a Matéria, o comunismo move-se dentro de um círculo de forças tenebrosas, para fora do qual nada existe que mereça a atenção do Espírito. À força de racionalizar a vida, os ideólogos comunistas, irracionalizam o Homem, fazem dele uma besta de carga, como os filósofos da Revolução francesa à força de considerar o Homem um detentor de direitos originários e inalienáveis, o alienaram irracionalmente à colectividade que o explorou, o degradou, o matou à fome, em nome da liberdade e da dogmática humanitária.<br />
<br />
Carlos Marx, o patriarca do socialismo integral, judeu que herdou de Leviathan o ódio da sua raça deicida, sabia que para destruir a superior civilização do Ocidente que fez o mundo moderno, era mister subverter primeiro a sua cultura, as suas Instituições, prostituir a sua moral, anarquizar a sua sensibilidade. Só depois do advento do caos se poderia erguer o Reino de Pan.<br />
<br />
No seu sangue errante, vivia o germe da revolta ancestral. Era forçoso encontrar um apoio para fundamentar um sistema dinâmico de ideias. E então, o israelita germânico, aceita como verdade científica o predomínio do facto económico, através das Idades. É ele que orienta o mundo; é dele que vivem todas as actividades; é por ele que luta, através da História, a humanidade inteira.<br />
<br />
O proletariado é a classe errante, a classe oprimida pelos tempos fora, e é a classe perseguida, a classe irmã da sua raça.<br />
<br />
E é então, que o hebreu, com a consciência do abismo que criava, exorta o proletariado de todo o mundo a revoltar-se contra a tirania do capital, contra a oligarquia dos exploradores do seu trabalho, — ele que pertence à Raça de Shilock, à raça do argentário, do capitalista absorvente, do explorador do suor e sangue do trabalhador.<br />
<br />
A luta das classes, tal como a vê o marxismo, é uma infâmia intelectual espalhada adrede para servir de meio para a subversão total. Não tem fundamento histórico, filosófico, é apenas a última consequência do exagerado economismo do século XIX e da grotesca mitologia democrática.<br />
<br />
A alma oriental, soturna e dramática, que transforma a piedade em crueldade, a liberdade em escravidão, a defesa do indivíduo contra a sociedade no despotismo da sociedade, ouviu a ‘voz subterrânea’ do judeu satânico. E não admira, camaradas! Carlos Marx sabia que a índole do povo russo, o seu messianismo ancestral, o fanatismo idólatra que transforma os valores sociais relativos em valores absolutos, poderia tentar «a série ilimitada de experiências» de que falava mais tarde o mongólico Lenine, arengando às turbas diante do Kremlin. Uma tentativa semelhante no Ocidente ou nos continentes que herdaram a clara inteligência e a nobreza espiritual de Latinidade, seria fatalmente repudiada com energia até à última gota de sangue. Só uma raça de escravos aceita tiranias. O comunismo russo é uma tirania, confessada até pelos seus próprios doutrinadores actuais.<br />
<br />
Bielinsky, o socialista integral, que adopta a divisa — ‘o socialismo ou a morte’ — num rompante de incontida sinceridade exclama:<br />
<br />
«Se eu fosse Czar, seria tirano».<br />
<br />
*	*	*<br />
<br />
O comunismo é pois:<br />
<br />
1.º — A guerra sistemática ao Espírito, à mística ou metafísica cristãs: «Os ateus russos procuram o reino de Deus, mas sem Deus e contra Deus».<br />
<br />
2.º — A guerra à cultura europeia.<br />
<br />
3.º — Substituição de toda a moral absoluta pelo utilitarismo social.<br />
<br />
4.º — Predomínio de economismo e das ciências naturais.<br />
<br />
5.º — Guerra às ciências humanistas.<br />
<br />
7.º — Aniquilamento da vida interior do indivíduo pelo elemento social, pela ideia de utilidade.<br />
<br />
8.º — Destruição das nacionalidades, pela utópica criação da Pátria Universal.<br />
<br />
9.º — Consagração do proletariado como única classe que trabalha.<br />
<br />
10.º — Amor livre, bestialização da mulher, a devastação da alma, o suicídio, em suma.<br />
<br />
*	*	*<br />
<br />
Eis, em linhas muito gerais, a ideia diabólica que o marxismo-leninismo procura impor pela violência sistemática, a toda a humanidade. O património espiritual e material, produto das canseiras da inteligência e do trabalho paciente de muitas gerações, é destruído com ferocidade, para em seguida se implantar a ditadura dos apetites, em que se resume, finalmente, a tirania de uma classe dominando as outras.<br />
<br />
Mas atentemos, camaradas! Pode, de facto, manter-se por mais tempo esta civilização egoísta e hipócrita, que o amoralismo capitalista originou? Não há nas razões alegadas por todos os que contra ele reagem — socialistas, comunistas, anarquistas — uma verdade incontestável que os homens de boa-fé, como nós, têm de aceitar e de que têm de fazer ponto de partida para que contra ela reajam também?<br />
<br />
E não originará esse ponto de partida, pelo que de eternamente humano o justifica, soluções de tal modo genéricas que saltam por cima de todas as divergências doutrinais e se integram em todas as reacções modernas e, portanto, na nossa?<br />
<br />
Seloview tem razão quando diz que, para vencer a mentira do socialismo, é preciso reconhecer a parte de verdade que nele se encontra.<br />
<br />
E nós, camaradas, reconhecemo-la sem qualquer esforço, não em obediência às sugestões de errados doutrinarismos, não porque ao socialismo, ao comunismo ou ao anarquismo se deva o haver sido posta em evidência, mas porque «nós temos uma doutrina» e porque essa parte de verdade que os apóstolos e doutrinadores daqueles erros incluíram nos seus sistemas, já muito antes de eles se formarem, pertenciam ao corpo da doutrina sã que «nós temos» e nos norteia, dessa superior doutrina que origina a civilização cristã em que vivemos e que, durante séculos, dignificara, sem entraves de maior, o género humano.<br />
<br />
Reconhecendo que não podemos deixar substituir as causas que dão origem à revolta dos trabalhadores no nosso século, nada mais fazemos, portanto, que enquadrar a nossa própria revolta nos moldes do Cristianismo, de que lamentavelmente muitas gerações se desviaram, criando-se assim uma ordem pagã, essa ordem velha e agora de novo moribunda sob os golpes que há vinte séculos o Cristianismo não cessou de lhe aplicar, em todos os campos de actividade humana.<br />
<br />
Mas só agora «somos uma força».<br />
<br />
Eis porque com os trabalhadores estamos na luta contra todos os abusos que deles fizeram párias sociais e contra todas as doutrinas que de todos nós querem fazer novamente escravos da matéria ou, o que é o mesmo, do Estado sem Espírito nem Deus; eis porque com os trabalhadores, queremos, dentro da Ditadura Nacional, que hoje firmemente governa o País, ajudar a triunfar plenamente a Revolução Nacional, cujo fim não é outro senão arrasar as podridões da ordem velha para que livremente irrompam a austeridade e a justiça da Ordem Nova.<br />
<br />
Para lutar com eficácia contra a propaganda proteiforme dos agentes da Soviécia, importa fixarmos os seguintes princípios:<br />
<br />
1.º — Impõe-se a extinção de todas as bases materialistas do regime social burguês.<br />
<br />
Um mau sistema só se combate, eliminando-se. Ninguém pode duvidar que o futuro pertença ao Trabalho e a todas as classes que produzem a riqueza temporal e espiritual a que a colectividade tem direito.<br />
<br />
Inútil será também tentar espiritualizar o capitalismo e as classes burguesas com o fim de conjurar o advento do Estado totalitário.<br />
<br />
A ociosidade será perseguida tenazmente. O vanguardismo não transige com a vagabundagem preguiçosa das esquinas, dos botequins ou dos clubes.<br />
<br />
2.º — O comunismo leninista é um sistema integral. Temos, por consequência, de lhe opor o nosso movimento integral.<br />
<br />
A uma política autocrática, a uma economia fundada na servidão, a um moralismo lisonjeador dos sentidos, a uma filosofia única, a um cientismo de partido, temos de opor a Política da nova orgânica constitucional do Estado, a Moral do evangelho, as aquisições científicas da Humanidade através dos tempos, a Filosofia que dignifica e eleva o Homem para além dás estreitas perspectivas da Terra.<br />
<br />
Ao ateísmo sistemático, o cristianismo militante.<br />
<br />
3.º — O homem dignifica-se pelo Trabalho. O Trabalho é um dever social.<br />
<br />
Não é uma maldição, não é um fardo que o homem deve transportar, pela vida fora, penosamente. Por isso o trabalho é uma actividade nobre do Espírito e do Braço desenvolvida pelo Homem, e não uma mercadoria que se compra e vende conforme as oscilações da oferta e da procura. Daí o trabalho não ser avaliado como é avaliado o rendimento de uma máquina, nem o Homem significar no processo da produção, o instrumento mecânico que produz riqueza.<br />
<br />
4.º — Como o Trabalho, o Capital desempenha uma função social. Não é um Fim, mas um Meio para a satisfação das necessidades do Trabalhador.<br />
<br />
5.º — O salário não depende do Trabalho realizado nem da liberdade do patrão, mas das possibilidades da produção. O Trabalhador não é um ser desvinculado da sociedade e da Família, por isso o salário deve garantir-lhe uma vida individual saudável e uma existência em Família tal, que estejam devidamente assegurados os seus interesses morais e materiais, no caso de invalidez, velhice ou morte.<br />
<br />
6.º — O trabalhador tem o direito a tratar ele próprio dos seus interesses. Tem, pois, o direito de associar-se para os assegurar e defender. A Corporação é um agrupamento natural de homens que defendem legítimos interesses comuns, pelo facto de viverem todos do mesmo produto. A Corporação é uma entidade descentralizadora e agrupa «elites» profissionais.<br />
<br />
O Sindicato, como o Grémio, secções da Corporação, convertem-se, na estrutura do Estado Corporativo, em órgãos de coesão nacional, — em instituições de solidariedade entre os trabalhadores.<br />
<br />
7.º — A Revolução Nacional reconhece a propriedade privada como imposição racional da natureza humana e como necessidade da vida económica de qualquer povo civilizado. Por isso mesmo, a Revolução Nacional não poderá consentir que a propriedade privada do solo e do capital, — instrumentos indispensáveis da Produção — possa contribuir para a desordem, o desequilíbrio e a miséria da colectividade. O uso do Solo e do Capital será, pois, subordinado ao interesse<br />
colectivo.<br />
<br />
*	*	*<br />
<br />
Camaradas! O erro fatal do comunismo, a ilusão que envolve a sua doutrinação, terão de ser combatidos com coragem, com fé, com decidida fé na Vitória da nossa Revolução.<br />
<br />
Nós não aceitamos a mecanização da vida que o sovietismo pratica, nem admitimos a supressão da individualidade humana. Estamos firmes na luta contra as monstruosas teorias que pretendem universalmente conduzir o Homem à propaganda contra o Homem. Combatemos em todos os seus múltiplos aspectos uma abjecção intelectual, iniciada em ‘oitenta e nove’ e que encontra na tirania das federações soviéticas a sua lógica consequência.<br />
<br />
Queremos um Estado Contemporâneo dirigindo uma Pátria saudável. Nem regressos à turbamulta dos parlamentos ganha-pão, nem transigências com a fauna dos politicastros do sufrágio. Queremos um Estado forte, actual, que seja sempre um Estado Novo, dirigido por gente nova, e não apenas um Estado medrosamente anti-comunista.<br />
<br />
Camaradas!<br />
<br />
O caminho está traçado!<br />
<br />
Compete a cada um de vós, vanguardistas, difundir a Verdade política, social e espiritual que nos une indissoluvelmente.<br />
<br />
Onde está um vanguardista está um Homem de acção. Cumpri com galhardia a divisa do nosso movimento:<br />
<br />
Trabalhar, lutar, vencer.<br />
<br />
Camaradas: Avante!<br />
<br />
Secção Sul da Acção Escolar Vanguarda<br />
<br />
------------------------<br />
Nota:<br />
<br />
* O ponto 6.º não aparece no original.]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=426</comments>
 <pubDate>Mon, 18 Feb 2008 01:49:31 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>“Je suis un écrivain fasciste” ou “assim falava Bardèche”</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=425</link>
<description><![CDATA[<b>Por Maurice Bardèche (Extractos de «Sparte et les Sudistes», Les sept couleurs, 1969 – Traduzido por <a href="http://ofogodavontade.wordpress.com">Rodrigo Nunes</a>)</b><br />
<br />
<b>Acredito</b><br />
<br />
Acredito que o homem moderno é um projecto de desnaturação do homem e da criação. Acredito na diferença entre os homens, no malefício de algumas formas de liberdade, na hipocrisia da fraternidade. Acredito na força e na generosidade. Acredito noutras hierarquias que não a do dinheiro. Vejo o mundo corrompido pelas suas ideologias. Acredito que governar é preservar a nossa independência, depois deixar-nos viver à nossa vontade.<b>Novo mundo</b><br />
<br />
A alienação face a um pensamento correcto implica necessariamente a submissão a uma atitude correcta, que na sociedade de consumo compreende a boa vontade face às instituições, o optimismo democrático, a ambição de ser semelhante aos colegas e de aspirar a ser o favorito do chefe, a satisfação de ser um bom cliente e um bom cidadão, empenhado em conseguir dinheiro para comprar cada vez mais coisas que nos são inúteis. Tudo isto a título individual mas cedendo cada vez mais as nossas responsabilidades (políticas, sociais, económicas, ecológicas, familiares, municipais…) a um Estado-Sistema que sofre um acelerado processo de privatização multinacional. A consciência industrial é completada com uma educação industrial que encaminha os seus esforços para fazer de nós uns consumidores teleguiados. A administração e os tecnocratas, menos hipócritas que os académicos, falam de nós como “sujeitos” (no sentido de “sujeitar”, “reprimir”, “dominar”) e classificam-nos como “recursos humanos”, esta é uma sociedade onde não existem virtudes mas antes normas.<br />
<br />
<b>Liberalismo, Marxismo e a demanda da liberdade</b><br />
<br />
A hipocrisia da sociedade liberal e a hipocrisia da sociedade marxista criam finalmente um igual mal-estar e uma igual repulsa. Porque tanto a sociedade liberal como a sociedade marxista mentem e ambas propõem um falso ideal que encobre umas vezes a lei implacável do lucro e da exploração e outras a ditadura imbecil da caserna. E as suas mentiras, as suas falsas posições provêm daquilo que ambas tomaram por fundamento de toda a estrutura, o económico e não o homem. Elas propõem-nos duas escravaturas diferentes do económico que, no final, acabarão por se assemelhar, todos os “trusts”, do Estado ou de Bancos, não são mais, no fundo, que uma única mecânica. Ora, o que é importante é o destino que se dá ao homem. E neste destino há alguns elementos inatacáveis, porque são a essência da natureza humana. É preciso que o homem seja chefe de família, é preciso que o homem tenha uma casa e que a erga ao seu gosto, é preciso que o homem tenha um trabalho e que goste desse trabalho, que o faça com prazer e que o fruto desse trabalho lhe seja remunerado lealmente. Nestas condições o homem vive, conduz a sua vida de homem livre, ele não é espoliado da sua existência. E o Estado não existe senão para lhe assegurar as condições desta existência que são as próprias condições da liberdade.<br />
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<b>Aos últimos europeus</b><br />
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As palavras (…) enganam-nos, as palavras sobretudo. Dizem-nos: “É o fascismo que é preciso abandonar no mar dos mortos”. Não é apenas o fascismo que vejo perder-se no horizonte. É todo um continente que nós abandonamos. E as palavras não servem senão para disfarçar o êxodo. Os fumos que se elevam das cidades da planura impedem-nos de ver as colinas felizes que deixamos para sempre.<br />
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O que importa para o futuro não é a ressurreição nem de uma doutrina nem de uma certa forma de Estado, ainda menos de um autoritarismo ou de uma polícia, é o regresso a uma certa definição do homem e a uma certa hierarquia. Nesta definição do homem, estabeleço as qualidades que referi; o sentido de honra, a coragem, a energia, a lealdade, o respeito pela palavra dada, o civismo. E esta hierarquia que ambiciono é aquela que coloca estas qualidades para lá de todas as vantagens dadas pelo berço, a fortuna, as alianças, e que escolhe a elite apenas em função das suas qualidades.<br />
<br />
A autoridade no Estado não é mais que o respeito por estas qualidades e por esta hierarquia. Ela pode dotar-se de muita tolerância quando este reino dos melhores é estabelecido. Ela não exige a perseguição ou a evicção de ninguém. Mas creio que nenhuma nação, nenhuma sociedade, pode durar se os poderes que assentam sobre outros méritos que os que referi não forem essencialmente precários e subalternos. Toda a nação é conduzida, certamente, mas toda a nação se comporta igualmente de uma certa forma, toda a nação tem uma certa conduta, nobre ou baixa, generosa ou pérfida, como dizemos de um homem que tem uma boa ou má conduta. Um dos nossos erros actuais é admitir demasiado facilmente que estas coisas não têm qualquer importância. Queixamo-nos a cada dia da imoralidade e não nos dignamos a perceber que destruímos nós mesmos, ou deixámos destruir, toda uma parte das bases da moral, que as destruímos ainda a cada dia. As raízes que firmámos no lugar das grandes árvores abatidas definham e secam. E queixamo-nos de avançar num deserto.<br />
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Reconstruímos as pontes, as fábricas, as cidades que as bombas haviam arrasado, mas não os valores morais que a guerra ideológica destruíra. Neste domínio estamos ainda perante um amontoado de ruínas. Insectos habitam estas ruínas, encontramos lá vegetação desconhecida, encontramos visitantes estranhos. O vazio moral que criámos não é menos ameaçador para o nosso futuro que o vazio geográfico que deixámos instalar no coração da Europa, mas não o percebemos.<br />
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Ninguém se interessa. Há muita gente que se aproveita deste vazio moral no qual encontra vantagens. Não têm talvez ilusões sobre o seu futuro mas pensam que este interregno durará tanto quanto eles. Isso chega-lhes. Temem o tempo incómodo em que a coragem faz clamor, em que a energia se exibe, em que a lealdade é condecorada. Não gostam dos edificadores deste cenário. Consideram um pouco caro o preço que lhes pedimos pela sua segurança, o perigo não lhes parece premente. É de facto assim que se raciocinava em 1939.<br />
<br />
Mas sobretudo as fantasias que lhes inculcaram no cérebro agitam o seu sono: vêem cavalos negros surgirem no céu. A coragem, a energia, a lealdade, parecem-lhes grandes palavras inquietantes. Este vocabulário de professor de ginástica finda em Esparta, a criança à raposa, os soldados do ano II, Robespierre, os canhões que substituem a civilidade, e Napoleão que acaba sempre por surgir sob o jacobino Bonaparte. Estas brumas nos seus cérebros não são alheias ao seu desencorajamento.<br />
<br />
E se tanta gente se sujeita à operação que se faz aos gatos selvagens para transformá-los em gatos domesticados é, em grande parte, porque não vêem muito bem para que pode servir aquilo que lhes retiram: pensam mesmo, confusamente, que aquilo não pode servir senão para coisas ignóbeis.]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=425</comments>
 <pubDate>Mon, 11 Feb 2008 01:26:35 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>Liberdade e Igualdade</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=424</link>
<description><![CDATA[<b>Por António José de Brito</b><br />
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Estes dois ideais, ainda que em perfeita lógica política se não possam dissociar, contradizem-se, porém, intimamente.<br />
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Do ponto de vista do primeiro, considera-se o indivíduo como um ser autónomo, a cujo completo desenvolvimento nada deve entravar. Todas as limitações, todas as disciplinas têm que deixar de existir. Esta construção, como é óbvio, postula na base a existência duma igualdade de possibilidades, duma igualdade de alicerce.A liberdade sem limites, porém, conduziria à tirania dos mais fortes sobre os mais fracos. Para evitar tal perigo insere-se o Estado liberal, como garante das esferas da autonomia de cada um.<br />
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O Poder existe, pois, a fim dos direitos individuais não colidirem e é justificado pela Liberdade.<br />
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Se os homens, por efeitos dum aperfeiçoamento progressivo, conseguirem manter por si sós o justo equilíbrio dos seus poderes o Estado desaparecerá por inútil.<br />
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De qualquer forma, a sua tarefa é restrita — um mal necessário segundo a expressão consagrada.<br />
<br />
Nesta teoria, a igualdade desempenha um papel secundário. Os indivíduos constituem compartimentos isolados, cujas relações são tuteladas pelo Estado. O Liberalismo encara-os, dum ponto de vista nitidamente associal. É uma concepção em que «os homens julgam-se iguais porque têm a noção que são livres...». (1)<br />
<br />
Há, contudo, uma forma diferente de conceber a Liberdade.<br />
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Só existe esta quando nenhum homem pode ser superior a outro. Onde há um superior pode haver, em breve, um chefe, isto é, uma submissão. «A liberdade não pode subsistir sem a igualdade» (2) a qual, contrária às realidades positivas, tem que ser obtida artificialmente, por meio do Estado, convertido, assim, num instrumento de nivelação social, instituição social, instituição despótica, abrangendo todos os ramos da vida; Estado totalitário pois.<br />
<br />
Nesta teoria, só existe liberdade quando existe igualdade. Logo, o governo do povo só pode ser exercido pelo povo, por intermédio do sufrágio universal. É este que dita a lei. E como não há possibilidade de obter decisões unânimes, a vontade da maioria será a vontade do povo — isto é — todo o acto emanado da maioria será legítimo.<br />
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O Estado, confundido com esta, é o agente decisivo da nivelação; da liberdade de cada um, como ser isolado, passava-se para a liberdade da colectividade; quer dizer — exige-se que ninguém se eleve dentre esta, sem o que seria ameaçada na sua independência.<br />
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Concepção bem mais imbuída de sentido social que a liberal, pois que considera e com razão que os indivíduos não existem fora da mútua convivência, mas interdependentes.<br />
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Partindo, porém, da ideia falsa da Liberdade chega a conclusões inaceitáveis.<br />
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A verdade do seu sentido social é bem demonstrada pela experiência do Liberalismo, que degenerou sempre na Plutocracia, ou seja, no domínio dos mais ricos.<br />
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Não é, na realidade, possível dar a máxima liberdade aos indivíduos, sem que em virtude da desigualdade natural, uns se não sobreponham aos outros.<br />
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E, assim, a intervenção mínima do Estado liberal teria de ser enormemente ampliada, de forma que a sua missão de manter o justo equilíbrio de liberdades dentro da ordem pública se transformasse na tarefa de colocar a todos debaixo da mesma tutela omnipotente.<br />
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A Igualdade, como o notaram Le Bon (3) e Bainville (4), é sempre o ideal preferido das massas porque se dirige a um sentimento que elas possuem em alto grau — a inveja.<br />
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Por isso se sujeitam ao domínio de um César que a todos nivele, diante do seu poderio ilimitado. César insuportável aos igualitários puros, mas estimado pelas turbas porque realiza, dentro do possível, o que os utopistas tentam fazer no campo especulativo teórico.<br />
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O Cesarismo, porém, é efémero. Produto de paixões exacerbadas dos ideólogos da liberdade e da igualdade que, na sua luta, esqueceram os efeitos das doutrinas sobre as multidões, justifica-se, um grande número de vezes, pelas urgências da salvação pública. Vive, enquanto viver não o Ditador, como pessoa, mas como mito. Enquanto for encarado como um super-homem, enquanto for considerado omnisciente e omnipotente, enquanto todos dele esperarem a salvação; no momento em que, através do César, surgir o homem está morto o regime.<br />
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O prestígio do Ditador não provém duma tradição multissecular, nem da grandeza da obra efectuada por seus antepassados. Pelo contrário, é momentâneo, ocasional, logo vive do actual e para o actual.<br />
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O Cesarismo, aliás como a Democracia, pressupõe uma mística do homem privilegiado opondo-se à do povo soberano, à das maiorias infalíveis. Só com uma diferença! A primeira constitui um ideal dinâmico, nobre, a segunda um ideal estático, o ideal burguês.<br />
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O «viver perigosamente» de Mussolini contra o «Enrichissez-vous» de Guizot.<br />
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Do conceito de liberdade individual ilimitada, transita-se para o de liberdade colectiva, liberdade essa que já se assula perante a Igualdade, que só existe por meio desta.<br />
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Desenvolvimento lógico duma teoria cujas premissas residem no conceito do indivíduo, ser associal!<br />
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Partindo daí, a sociedade só pode ser explicada por um contrato que formule as condições da garantia da independência que o homem possui por natureza. É, então, que surge na determinação dessas condições a contradição entre Liberdade e Igualdade.<br />
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E ou se concede a cada indivíduo a capacidade de ser diferente dos outros — liberdade no seu sentido liberal, ou se elimina toda e qualquer superioridade — liberdade igualitária.<br />
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De cada uma destas posições, desenvolvendo ao máximo o seu conteúdo, se chega ao Anarquismo e ao Comunismo. Realmente a libertação do indivíduo conclui-se com a destruição do Estado. Para o anarquismo, não resulta daí, de forma alguma, o perigo de domínio dos fortes sobre os fracos porque: — em primeiro lugar, acredita que esses vestígios de barbárie pertencem não ao indivíduo, mas à sociedade que o perverte; em segundo lugar, porque eleva, ainda mais do que o Liberalismo a ideia da autonomia do homem. <br />
<br />
Por seu turno, a libertação da colectividade, levada ao extremo, atinge, igualmente, a destruição do Estado após um período de transmissão. Ora este é o ideal marxista — a existência duma sociedade sem classes, isto é, sem Estado, pois que o marxismo considera o Estado como o meio de opressão duma classe por outra.<br />
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O Anarquismo e o Comunismo, prolongamento de duas posições que por sua vez estão entre si logicamente ligadas, vêm a chegar a conclusões idênticas. É que em ambos, também se encontra a origem individualista, e desenvolvida ao máximo do seu poder lógico.<br />
<br />
Mas o Anarquismo e o Comunismo esbarram com a realidade forte do homem-social e, por isso, jamais foram factos. O Anarquismo fica no estádio liberal, o Comunismo na social-democracia (excepto quando na ditadura dum homem — hoje Estaline).<br />
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Visando finalidades idênticas, combater-se-ão, sempre, dum lado o Estado polarizado em volta da Liberdade, do outro o Estado polarizado em torno da Igualdade.<br />
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Notas:<br />
1 - Gustave Le Bon, La Révolution Française et la Psychologie des Révolutions.<br />
2 - Rousseau, Du Contrat Social, liv. II, chap. XI.<br />
3 - Gustave Le Bon, La Révolution Française et la Psychologie des Révolutions.<br />
4 - Les Dictateurs.]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=424</comments>
 <pubDate>Mon, 11 Feb 2008 01:25:50 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>A caricatura da liberdade</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=423</link>
<description><![CDATA[<b>Por Rodrigo Nunes</b><br />
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Quando recentemente o jornal dinamarquês Jyllands-Posten decidiu publicar umas caricaturas de Maomé, seguido posteriormente por mais alguns jornais de outros países, a Europa assistiu ao despoletar de uma série de problemas com as comunidades islâmicas. À vontade de provocar de uns correspondeu a esperada irracionalidade e fanatismo de outros.Perante o costumeiro radicalismo dos islâmicos ergueram-se uns quantos defensores de ocasião do Ocidente (muito de ocasião) em defesa de uma presumida ideia de liberdade tomada como valor civilizacional da Europa. O direito de caricaturar um profeta religioso e abordar livremente as questões da fé foi então tornado a bandeira simbólica da oportunidade de livre expressão que distinguiria as democracias ocidentais do «obscurantismo» de outras partes do mundo.<br />
<br />
Por vezes a roçar o histerismo esses defensores de ocasião do Ocidente, que quando toca a defendê-lo integralmente se encontram sempre ausentes, asseguraram-nos que os movia simplesmente a apologia da «liberdade», que se tratava de uma questão de valores… a liberdade seria uma condição fundacional da «Europa democrática» e eram limitações a esses valores base que estavam em causa e não poderiam em consciência aceitar.<br />
<br />
Na segunda-feira, 10 de Abril, Pedro Varela, proprietário da Livraria Europa, em Barcelona, foi detido pela polícia da Catalunha. Segundo as forças de autoridade o objectivo principal seria a Associação Cultural Editorial Ojeda, sedeada na referida livraria. Na operação foram confiscados vários milhares de livros. As acusações dirigidas a Pedro Varela foram de «delito contra o exercício de direitos fundamentais e liberdades públicas» e «delito contra as liberdades públicas por apologia do genocídio». A sustentar as acusações apresentaram-se os livros editados pela Ojeda e vendidos na livraria, desde obras de ficção a livros nacional-socialistas, revisionistas ou estudos sobre diferenças raciais (1).<br />
<br />
Esta detenção de Pedro Varela – que não foi a primeira – não choca os defensores da tal liberdade que dizem valor civilizacional da Europa, pelo menos a julgar pelo silêncio generalizado a que os outrora histéricos defensores dos «valores fundacionais do Ocidente» se remeteram neste caso e noutros semelhantes. Em qualquer livraria podemos encontrar obras que apresentam visões revisionistas sobre os crimes do comunismo, e muito bem, acrescento, uma vez que considero ter o direito de conhecer outras opiniões para além das que são correntemente aceites como verídicas. As pessoas têm o direito de avaliar posições distintas e em posse de informação variada tomarem as suas decisões e fazer os seus julgamentos sem que uma qualquer autoridade lhes passe atestados de menoridade mental legislando o que podem ou não ler, o que podem ou não escrever ou pensar. Mas isto não é válido para a História da II Guerra Mundial ou para questões que abordem o tema racial, aí essa «coisa» da liberdade de expressão transforma-se frequentemente em «apologia do genocídio».<br />
<br />
Varela foi preso por vender livros. Onde estão as boas consciências que lembram que a censura ou confiscação de livros é um sinal inequívoco de se estar na presença de Estados autoritários e inimigos da liberdade? As mesmas que criticam a censura literária em Cuba ou que falam da destruição de obras na Alemanha nazi como sinal profético do que estaria para vir? Afinal não vivemos em democracias cujo valor central é a possibilidade de dissidência e de livre opinião? Não é sempre essa a diferença fulcral que apresentam na defesa da superioridade democrática ocidental? Pois… estão de férias agora os defensores dos «valores civilizacionais do Ocidente» que há alguns meses se insurgiam energicamente na defesa do direito à liberdade de expressão, esse dogma das nossas democracias de «homens livres».<br />
<br />
Esta «liberdade ocidental» cujos limites são impostos pelo poder político dominante, que decide em função dos seus interesses os critérios do que podemos dizer e escrever é a mais cínica negação do conceito. Ninguém é livre se não puder aceder a informação diferente e for forçado a aceitar as teses únicas da verdade institucionalizada, pois essa é a verdadeira limitação que impede o livre juízo e a decisão autónoma.<br />
<br />
De facto, o «homem livre» europeu é como uma criança de 6 anos a quem o poder político, fazendo o papel de adulto responsável pela sua educação, estabelece os limites do que pode ou não saber, e, tal como um adulto faz com uma criança, justifica a sua acção para o próprio bem desse «homem livre» europeu, em boa verdade infantilizado. A liberdade apregoada por alturas da polémica em torno das caricaturas de Maomé quando comparada com a sua negação em tantos outros casos de que Pedro Varela é apenas o exemplo mais recente faz lembrar a liberdade que se permite aos fedelhos: que façam umas caricaturas, uns bonecos e uns rabiscos, mas não se intrometam nos assuntos sérios dos adultos; eles é que sabem o que é melhor para a criançada, incapaz de raciocinar por si.<br />
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Nota:<br />
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1. A este propósito será bom que o professor J.P. Rushton, que recentemente publicou um estudo cientifico mostrando que as diferenças de QI entre os diferentes grupos raciais são sobretudo genéticas e que o ambiente social e educacional não tem um impacto superior a 20% nos resultados ou, para o efeito, o professor Richard Lynn que em «Race Differences in Intelligence: An Evolutionary Analysis» concluiu existirem diferenças de inteligência significativas que separam as raças, evitem passar por Barcelona, não vá dar-se o caso de acabarem detidos por incitamento ao genocídio.]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=423</comments>
 <pubDate>Sun, 3 Feb 2008 20:23:11 +0200</pubDate>
</item><item>
 <title>A vida como Milícia</title>
 <link>http://causanacional.net/index.php?itemid=422</link>
<description><![CDATA[A vida é uma missão.<br />
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O simples viver traz já consigo a ideia de servir e de lutar. Servir e lutar pelo Bem, frente ao Mal; pela Verdade, frente ao Erro; por Deus frente a Satanás.<br />
<br />
Nesta luta, cujo âmbito é universal, as diversas Pátrias represen¬tam na superfície da Terra, numerosas frentes. Cada Pátria tem para si um sector especial de combate. Dum lado estão os defensores do Homem, que confiam nos valores espirituais, que acreditam nas certezas divinas e na continuidade «in aeternam» da Nação; do outro os adora¬dores da matéria, os negadores da Pátria, os fanáticos do Anti-Cristo.Urge pois, militarizar a vida.<br />
<br />
Dar-lhe aquele carácter de milícia, que as antigas ordens de cava¬laria possuíam, e que não era mais do que uma escola de honra, de virtudes, de disciplina, de sacrifício.<br />
<br />
Transcrições de antigos livros de cavalaria falam «nessa formosa companhia de nobres homens que foram ordenados para defender a terra e acrescentá-la» e só à ordem pertenceria quem não temesse «a morte por sua Lei», nem sacrifício por sua «Terra», e que pedisse a Deus que o «guiasse a seu serviço».<br />
<br />
A guerra não é só, necessariamente, origem de destruições totais e de morte.<br />
<br />
É, também, escola de nobreza, de valor, de lealdade, de ordem, de abnegada camaradagem, de amor a Deus, à Pátria e à Grei.<br />
<br />
São estas as virtudes da Milícia, ou melhor, da vida como Milícia, pelas quais se lhe pretende dar um sentido sério, de verdade luminosa, de austeridade integral, de disciplina rigorosa, de camaradagem sentida, de serviço e sacrifício.<br />
<br />
Negar a vida como assim a vemos, é militar no campo do adversário, é viver a vida do egoísta, do imoral, do indiferente criminoso, é auxiliar a trincheira do inimigo da Ordem, do demolidor da Tradição, do carrasco do Divino, do partidário consciente da Anti-Nação.<br />
<br />
Vindos do Oriente, sopram sobre a terra os ventos da tempestade e da escuridão — só militarizando a vida, só aceitando as virtudes do guerreiro, poderemos enfrentar o poder diabólico do inimigo externo e interno das nossas Pátrias e da nossa cultura.<br />
<br />
Não confundamos, contado, o espírito militar com o espírito guerreiro.<br />
<br />
Ter espírito guerreiro é amar os combates, pelo que têm de perigo, é ter a paixão da vitória, a bravura temerária, que tanto pode conduzir ao triunfo como à derrota. Os homens dotados de espírito militar pre¬ferem a paz à guerra. Não a paz falsa, dissolvente, imoral, e profun¬damente materialista; mas, sim, a paz activa, previdente, benéfica que traz às nações a certeza dos seus destinos, a garantia da ordem e do trabalho; a calma necessária para ensinar às novas gerações, no caminho da honra, o gosto pela iniciativa, a firmeza de carácter, o amor da Pátria, e o sacrifício pessoal frente aos interesses do Bem Comum.<br />
<br />
O falarmos em militarizar a vida, não é também tentar transformá-la numa parada arrogante, em quartel de orgulho, ou caserna de ambição. É dotá-la da virtude para servir a Deus e ao próximo, à Nação e à Grei, com alegria e entusiasmo, com devoção e fé, com consciência e inteligência.<br />
<br />
Foi militarizando a vida e aplicando aos conflitos do espírito os princípios eternos da milícia, que as gestas dos legionários europeus em África, na Rússia e na Espanha, marcaram uma época e afirmaram uma fé. Mas o sacrifício dos nossos mortos não foi suficiente perante as investidas do demo-marxismo internacional, e em cada uma das nossas Pátrias, os partidários da desordem pululam. Para os aniquilar, por¬que a luta é de vida ou de morte, não podemos contar com os dúbios, com os fracos de vontade, porque esses nunca poderão levar a bom fim, os grandes feitos, que o momento exige. Para os vencer, não chegam as palavras ou as armas.<br />
<br />
É preciso — fé ardente, harmonia perfeita entre as ideias e a vida, de modo que esta assuma aquele carácter de responsabilidade e missão divina que Cristo lhe atribuiu, quando afirmou aos que o ouviam — «Eu venci o Mundo, e com a minha graça, também vós o vencereis».]]></description>
 <category>Geral</category>
<comments>http://causanacional.net/index.php?itemid=422</comments>
 <pubDate>Sun, 3 Feb 2008 20:22:30 +0200</pubDate>
</item>
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